Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 21 de 211

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Virologia

Infecção sistêmica

FIG. 2 A, Molusco contagioso. B, Verruga vulgar. (As fotografias são uma cortesia do Prof. H. F. Jordaan, University of Stellenbosch).

 

Infecção sistêmica

Em uma infecção sistêmica (Fig. 3), em geral o vírus se multiplica localmente nas membranas mucosas durante vários dias, drenando, depois, para os linfonodos regionais através do sistema linfático. Neste, ele se multiplica novamente, e em seguida é liberado no sangue. Essa é a viremia primária. A seguir, ele se dissemina pelo corpo, multiplicando-se em órgãos e tecidos permissivos. Isso permite que seja produzida uma alta concentração de vírus, que entra no sangue, causando a viremia secundária. Então eles se disseminam para órgãos-alvo, como a pele, no caso da varicela, e nesse período o quadro clínico típico da doença geralmente se manifesta. A viremia secundária desencadeia uma resposta imune significativa, que tenta controlar a infecção. No caso de caxumba e rubéola, isso geralmente é eficaz; no caso do HIV, o sistema imunológico não

elimina o vírus do corpo. Já na varicela (Fig. 4), o vírus fica latente, podendo se reativar mais tarde, em geral, limitado a uma infecção local, disseminando-se para a pele pelos neurônios, apesar de, em indivíduos imunodeprimidos, a infecção sistêmica ser significativa.

 

FIG. 3 Diagrama representando um enterovírus causando uma infecção sistêmica.

FIG. 4 Diagrama representando o vírus da varicela causando uma infecção sistêmica.

O período no qual o vírus ainda está se multiplicando na mucosa local é

conhecido como período de eclipse ou eclipse viral.

 

Implicações clínicas

O diagnóstico de uma infecção sistêmica leva em consideração os locais de multiplicação e não apenas os locais de manifestação dos sintomas. Por exemplo, a rubéola e o citomegalovírus são excretados na urina, todavia o trato urinário é assintomático. O poliovírus pode causar doença neurológica, mas tanto o líquido cefalorraquidiano quanto as fezes têm valor para o diagnóstico, já que a multiplicação primária ocorre no trato intestinal. Uma infecção sistêmica resulta em uma resposta de anticorpos mais consistente, tornando a sorologia uma ferramenta muito mais útil. O tratamento específico, se existir, geralmente é sistêmico. Medidas preventivas podem ser direcionadas ao local da multiplicação primária, por exemplo, com o uso da vacina contra a pólio com vírus vivo atenuado, ou ser direcionado para uma resposta imune sistêmica, como ocorre com as vacinas contra a rubéola e a pólio com vírus morto.

 

Exemplos

Infecções virais como a influenza, sarampo, caxumba, rubéola e varicela

causam infecção sistêmica. A Figura 5 mostra as manifestações das infecções pelo vírus Epstein-Barr e da varicela.

 

FIG. 5 A, Leucoplasia pilosa na língua, uma manifestação da infecção sistêmica pelo vírus Epstein-Barr. B, Varicela. (As fotografias são uma cortesia do Prof. H. F. Jordaan, University of Stellenbosch.)

 

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