Virologia
Sarampo
Importações do vírus selvagem da poliomielite para países livres da pólio
foram vistas em diversos países africanos nos últimos anos (Quadro 2). A recombinação do vírus da pólio com outros enterovírus, por exemplo, o Coxsackievírus A, representaria um risco teórico da reintrodução do poliovírus depois que a transmissão global for eliminada.
Quadro 2 A epidemia de pólio na Namíbia em 2006
Houve uma epidemia de pólio na Namíbia em maio a junho de 2006,
após ter estado livre dessa doença desde 1995. A temida doença resultou em 199 casos de paralisia flácida aguda e 23 pessoas morreram (em julho de 2006). O caso zero foi um homem de 39 anos de idade de Aranos, a 450 km da capital, Windhoek. Ele se submeteu a uma colecistectomia em 27 de abril em um hospital em Windhoek e, inicialmente, ele se recuperou. Entretanto, ele adoeceu, apresentando sintomas inespecíficos, como febre, tremores e dor abdominal e apresentou paralisia nas pernas e dispneia em 8 de maio de 2006. Subsequentemente, ele foi intubado e posto em ventilação mecânica. O poliovírus selvagem do tipo 1 foi diagnosticado por cultivo celular a partir das fezes. A caracterização genética demonstrou que o vírus apresentava uma correlação com o poliovírus do tipo 1 isolado na província de Benguela, em Angola, em maio e junho de 2005 e que havia se originado na Índia, um dos últimos quatro países nos quais o vírus ainda é endêmico.
Sarampo
As características epidemiológicas do sarampo são semelhantes às da pólio e varíola, apesar de as taxas de transmissão do vírus do sarampo serem consideravelmente maiores. A OMS recomenda que a eliminação do sarampo de uma determinada região só seja feita depois que a transmissão do vírus selvagem da pólio tenha sido interrompida e certificada na região. Na região americana, a circulação do sarampo foi interrompida com sucesso em 2003. As estratégias usadas para a eliminação do vírus incluem as campanhas de vacinação para recuperação, manutenção e de seguimento, assim como campanhas de limpeza em áreas onde a cobertura da vacinação é inadequada. As campanhas de massa de recuperação são feitas para todas as crianças menores de 14 anos de idade, independentemente de seu estado prévio de vacinação, determinando-se o objetivo da cobertura em mais de 95%. As campanhas de manutenção representam vacinações rotineiras nas quais se aplica um dose da vacina a todas as crianças com mais de 1 ano. A administração da vacina contra o sarampo como parte da vacina MMR (sarampo, caxumba e rubéola) pode-se, ao menos tempo, tentar erradicar a rubéola. As campanhas de acompanhamento devem ser realizadas a intervalos de 3 a 5 anos e, durante essas campanhas, todas as crianças com mais de 9 meses de idade, que nasceram depois da última campanha, devem ser imunizadas.