Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 5 de 211

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Virologia

Capítulo 2: Multiplicação dos vírus

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Multiplicação dos vírus

 

Os vírus, da mesma maneira que outros organismos, precisam se

multiplicar para continuar seu ciclo infeccioso e se disseminar para novos

hospedeiros (Fig. 1). Todos os vírus necessitam de uma célula viva que forneça pelo menos parte do maquinário necessário para esse processo.

FIG. 1 Diagrama de uma célula indicando possíveis vias que diversos vírus podem usar durante seu ciclo de multiplicação – penetração, desnudamento, síntese de ácido nucleico, síntese de proteína, montagem do vírion e liberação da célula.

As etapas do ciclo de replicação viral incluem: a adsorção, que consiste

na ligação a receptores primários e, algumas vezes, secundários na célula; entrada ou penetração na célula pela fusão do envoltório com a membrana citoplasmática ou endocitose mediada por receptor (viropexia) dentre outros; desnudamento com liberação do genoma; transcrição do genoma em RNA ou DNA; transcrição do mRNA; tradução de proteínas não estruturais e estruturais; incorporação de novos genomas em novos vírions durante a montagem e liberação da célula por brotamento, lise celular ou disseminação direta célula-célula.

Nos diagramas na Figura 2, podem-se ver etapas extras que dependem do

tipo de vírus que infecta a célula. Vírus, como o adenovírus ou vírus da influenza, que entram na célula por endocitose, devem ser liberados dos endossomos. Alguns vírus codificam um genoma que pode ser usado diretamente como mRNA, e proteínas iniciais são traduzidas, permitindo os passos posteriores da replicação e, portanto, não precisam incorporar a enzima polimerase no seu vírion – por exemplo, enterovírus. Outros vírus, como o herpes-vírus, possuem uma cascata complexa de genes imediatamente precoces (IP), precoces (P) e tardios (T) que são transcritos e traduzidos antes das etapas de replicação do genoma. Essas etapas podem ser acentuadas ou inibidas por vários produtos gênicos para otimizar a replicação viral. Os retrovírus incluem a integração no genoma do hospedeiro como parte do seu ciclo de replicação. Alguns vírus, por exemplo, a maioria dos vírus de DNA, precisam se replicar no núcleo, enquanto a maioria dos vírus de RNA se replica no citoplasma.

FIG. 2 Dez estratégias de replicação diferentes para grupos de vírus diferentes.

O processamento do mRNA pode ser tão simples quanto a transcrição de

uma poliproteína, com propriedade de autoclivagem, ou pode incluir estratégias complexas como excisão de sequências (splicing), estágios múltiplos de formação de mRNA sob controle de outros produtos gênicos virais, sobreposição de fases de leitura que produzem proteínas diferentes da mesma área do genoma, e mudanças de fase, em que o ribossomo muda para uma fase de leitura diferente devido a sinais encontrados em parte do gene.

Após a infecção, o ciclo de multiplicação viral entra em uma fase de

eclipse na qual a identidade física e a infectividade geralmente estão perdidas, enquanto a replicação está ativa no nível molecular intracelular. Após essa replicação inicial local, os vírus são liberados das células, podendo infectar mais células ou infectar outros hospedeiros. Esse estágio é conhecido como a fase produtiva.

Pontos principais

 As etapas básicas no ciclo de replicação incluem a adsorção à célula,

penetração na célula, desnudamento, transcrição do genoma, tradução de novas proteínas, montagem e liberação da célula.

 Os vírus requerem enzimas da célula do hospedeiro para se replicar. Métodos diferentes de replicação têm implicações diferentes para a

patogênese e tratamento.

 Durante a fase de eclipse, o paciente está assintomático, podendo não

estar ciente da infecção.

 

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