Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 103 de 211

Páginas do PDF

Virologia

Quadro clínico

A resposta imunológica adquirida ao rotavírus se segue à apresentação

dos antígenos do vírus às células T auxiliares e células B no tecido linfoide associado à mucosa gastrintestinal (GALT). A resposta imune natural e a resposta celular provavelmente desempenham um papel importante na eliminação do vírus, pois os níveis de IgA só atingem o pico depois de 14 a 17 dias, quando geralmente já houve a resolução da infecção. Os títulos de IgA tendem a persistir durante o primeiro ano após a infecção. São produzidos anticorpos tipo-específicos contra VP4 e VP7 e grupo-específicos contra VP6. A imunidade é tipo-específica, apesar de haver alguma proteção cruzada após a infecção inicial. Portanto, a infecção inicial é mais grave. Detectou-se viremia pelo rotavírus em alguns pacientes, podendo ser responsável pelos sintomas sistêmicos.

 

Quadro clínico

O período de incubação é de 1 a 4 dias. O início súbito de vômitos e diarreia pode levar rapidamente à desidratação. A doença dura de 3 a 9 dias. A gravidade pode variar de não evidente (mais comum em pacientes com menos de 6 meses de idade ou com mais de 5 anos) a desidratação grave, especialmente em crianças com vômitos frequentes, requerendo hospitalização e hidratação endovenosa. Os pacientes podem apresentar até 20 diarreias aquosas por dia e uma temperatura maior do que 39° C não é um achado incomum. Esse vírus também está associado à diarreia do viajante em adultos, diarreia crônica em pacientes HIV-positivos e doença disseminada em crianças com defeitos imunológicos congênitos. Os lactentes também podem apresentar doença respiratória e sistêmica.

 

Diagnóstico virológico

Como grandes quantidades de vírus são excretadas nas fezes, os métodos de detecção direta, como a microscopia eletrônica, ensaios de aglutinação ou ensaios imunoenzimáticos são relativamente sensíveis. Também existem técnicas especializadas para a sorotipagem dos rotavírus. A maioria dos rotavírus humanos não se multiplica bem em cultura de células; portanto, a cultura celular dos rotavírus está restrita a laboratórios de pesquisa. A eletroferotipagem, que separa os segmentos do vírus por eletroforese em gel, também pode ser usada para a tipagem dos vírus. A transcrição reversa seguida da reação em cadeia pela polimerase (RT-PCR) é a técnica mais sensível para detectar a presença do rotavírus e os produtos da PCR podem ser usados para determinar o genótipo e a estirpe do vírus.