Virologia
Herpes simples
O tratamento do zoster nos pacientes que apresentam risco de
desenvolver neuralgia pós-herpética deve ser iniciado assim que for possível para reduzir o risco de sequelas graves.
Prevenção
A vacinação, a administração de imunoglobulina contra o vírus da varicela-zoster (IGVZ) e antivirais podem ser usados para prevenir a infecção pelo vírus da varicela-zoster. A vacinação é o meio mais eficaz de prevenir essa infecção. Uma vacina com vírus vivo atenuado está disponível há quase 20 anos, sendo parte do esquema de vacinação rotineira de muitos países desenvolvidos. Ela é segura e eficaz, protegendo 90 a 100% das crianças contra a doença grave. O efeito colateral mais comum é um exantema vesicular leve (média de cinco manchas) no local da injeção ou em locais distantes, observados em 2% a 4% das crianças e em 5% dos adultos. Como se trata de uma vacina com vírus vivo, seu uso está contraindicado em mulheres grávidas e em pacientes com imunossupressão grave. A profilaxia pós-exposição com a vacinação (em até 72 horas após a exposição) é segura e eficaz. Apesar de não ser licenciado para esse fim, o aciclovir administrado em até 7 dias após a exposição pode abortar o desenvolvimento de doença clínica grave, sendo usado quando a IGVZ não está disponível. Pode-se administrar a IGVZ aos indivíduos com exposição significativa à infecção, por exemplo, contatos domésticos e nos indivíduos suscetíveis e com risco elevado de desenvolver doença grave. Para um benefício ótimo, a IGVZ deve ser administrada até 72 horas (no máximo 96 horas) após a exposição por injeção intramuscular. A vacinação de adultos que tiveram varicela com uma dose da vacina modificada contra a varicela para prevenir o zoster está se tornando cada vez mais aceitável.
Herpes simples
Existem dois tipos de HSV – o HSV-1, que infecta preferencialmente a cavidade bucal, e o HSV-2, que infecta preferencialmente a genitália. Ambos os vírus podem existir nas duas localizações e em outras localizações, por exemplo, o leito ungueal, causando a paroníquia. O vírus permanece latente após a infecção primária, podendo ser reativado a
qualquer hora (Fig. 2).
Epidemiologia
Esses vírus são encontrados globalmente. Apenas 10% das infecções são assintomáticas. A incidência do HSV-1 começa a aumentar nas crianças, enquanto a do HSV-2 aumenta na puberdade, quando há maior atividade sexual.
Quadro clínico
O período de incubação do HSV é cerca de 5 dias (2 a 12 dias). O HSV-1 causa estomatite em crianças de pouca idade, afetando primariamente a faringe. As crianças também podem apresentar dor de garganta, salivação excessiva e febre. Nos adultos, a infecção tende a causar lesões vesiculares na mucosa bucal, tendendo a ser uma doença leve. O herpes simples também causa doença grave em pacientes imunocomprometidos – a infecção disseminada causada pelo herpes simples, caracterizada por exantema vesicular disseminado, hepatite e coagulação intravascular disseminada. O HSV também pode causar encefalite que classicamente afeta os lobos parietotemporais, o que pode ser devastador. Inicialmente, os pacientes apresentam confusão, evoluindo rapidamente para o coma. A taxa de recuperação a longo prazo é muito baixa. O HSV-1 pode causar uma doença devastadora nos recém-nascidos – transmitido durante a doença primária, durante o parto, ou no início da vida, por meio do beijo ou do toque. Os bebês podem apresentar doença localizada ou infecção disseminada grave, causando um exantema vesicular, hepatite, episódios de apneia, pneumonite e trombocitopenia.
O HSV-2 causa ulceração genital. Nas mulheres, o sítio primário da
doença é o colo do útero e vulva, enquanto nos homens, as lesões aparecem na glande e no prepúcio. Nos indivíduos que mantêm relação sexual anal, as lesões aparecem no ânus e reto. Outros locais podem ser afetados dependendo das práticas sexuais. O HSV-2 está mais frequentemente associado à meningite do que à encefalite.
Transmissão
A transmissão da infecção se dá pelo contato íntimo com lesões infectadas, o que pode ocorrer pelo toque, por exemplo, transmissão sexual, paroníquia
herpética (Fig. 3), no parto e algumas evidências indicam a transmissão por fômites.
Diagnóstico
O diagnóstico das lesões cutâneas relacionadas ao HSV geralmente é clínico, apesar de, às vezes, o diagnóstico ser difícil devido à manifestação atípica. Nesses casos, o diagnóstico pode ser confirmado pela cultura celular ou pelo teste molecular. As amostras devem ser obtidas o mais cedo possível no curso da doença, quando a carga viral é maior, antes do aparecimento de crostas. A sensibilidade dos métodos moleculares é muito superior à da cultura celular quando as amostras das lesões são obtidas tardiamente. O teste molecular do líquido cefalorraquidiano é o exame de escolha para diagnosticar casos de encefalite por HSV.
A sorologia para o HSV não deve ser usada para diagnosticar a infecção
aguda pelo HSV, mas pode ser útil em alguns cenários clínicos agudos
específicos (Quadro 4). A sorologia para o HSV é útil nos cenários de transplante para identificar os indivíduos com história pregressa de infecção por HSV, para informar aos médicos sobre o uso da profilaxia contra a reativação do vírus no período após o transplante.
Quadro 4 Usos da sorologia para herpes
1. Casais com sorologias discordantes para informar o risco de
transmissão
2. Ulceração genital persistentemente negativa de causa desconhecida 3. Herpes na gravidez para determinar o tipo de parto
Tratamento
O tratamento do herpes bucal nem sempre é necessário e, apesar de preparados ou tratamentos tópicos estarem disponíveis sem receita médica, sua eficácia é questionável. O tratamento tópico não está indicado para as lesões genitais de HSV. Para a infecção primária, análogos da guanosina, como o aciclovir, fanciclovir e valaciclovir, podem ser usados.
A reativação pode ser prevenida com administração de baixas doses de
um agente antiviral por via oral, por exemplo, o aciclovir. Convencionalmente, o fármaco deve ser administrado por 6 meses, interrompido e as recorrências monitoradas. O tratamento supressor pode ser retomado se as recorrências forem frequentes e graves.
Prevenção
O desenvolvimento da vacina contra o HSV é lento, mas permanece sendo uma área importante de pesquisa.
Pontos principais
O vírus da varicela-zoster e o vírus do herpes simples são vírus de
DNA que pertencem à família do herpes.
Esses vírus podem causar infecções graves no paciente
imunocomprometido.
Esses vírus podem ser tratados com o aciclovir e seus derivados.
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