Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 174 de 211

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Virologia

Hepatite crônica ativa

A hepatite viral crônica pode ser definida como uma hepatite viral com duração de mais de 6 meses. Alguns pacientes com hepatite crônica não apresentam inflamação hepática. Esses pacientes são chamados de portadores assintomáticos. Quando a infecção crônica é caracterizada pela inflamação e dano à célula hepática, ela é chamada de hepatite crônica ativa. A infecção crônica ativa por HBV ou HCV resulta em destruição progressiva do fígado durante um processo chamado de cirrose, caracterizado pela fibrose e regeneração nodular. Clinicamente, um paciente com cirrose pode apresentar uma margem hepática irregular ao exame físico e veias extensas no abdome ou esôfago. Isso pode levar à hematêmese (vômitos de sangue) que pode pôr em risco a vida do paciente. A cirrose hepática crônica pode levar à insuficiência hepática crônica associada a achados clínicos, incluindo a ginecomastia, eritema palmar, telangiectasias do tipo “aranha vascular” e, na bioquímica do soro, redução da albumina e aumento da globulina.

Os pacientes com infecção por HBV (especialmente se tiverem cirrose) e

os pacientes com cirrose devido à infecção pelo vírus da hepatite C apresentam um risco maior de desenvolver carcinoma hepatocelular.

Avanços recentes no tratamento da hepatite crônica ativa devido à

infecção por HBV e HCV apresentam a possibilidade de prevenir a cirrose hepática, insuficiência hepática crônica e carcinoma hepatocelular. Mesmo assim, a prevenção primária dessas infecções continua a ser mais importante.

 

Tratamento da hepatite viral

Hepatite viral aguda

O tratamento é sintomático e de suporte.

 

Hepatite viral crônica

Infecção crônica pelo vírus da hepatite B

O objetivo do tratamento da infecção crônica por HBV é para,

primariamente, prevenir as complicações, pois não é possível atingir a cura.

A avaliação para decidir se o tratamento é indicado inclui a sorologia

para detectar o AgHBe e anticorpo anti-HBe, a carga de HBV, transaminases e biópsia hepática. Os pacientes com evidência de viremia significativa e inflamação crônica sem cirrose são os que se beneficiarão mais com o tratamento. Como o HBV tem uma enzima transcriptase reversa, ele é suscetível a vários inibidores dessa enzima: lamivudina, entricitabina, telbivudina, tenofovir e adefovir dipivoxil mostram taxas de resposta de 20% a 40%. Esses fármacos são bem tolerados, mas há o risco de tolerância, especialmente com a lamivudina e entricitabina.

Pare e pense

 Quais são os vírus que são transmitidos pela via enteral e quais são os

transmitidos pela via parenteral? A prevenção é melhor do que a cura:

 Quais são as estratégias mais eficazes para a prevenção da infecção

pelos vírus das hepatites B, C e D?

 Quem deve ser vacinado contra a HAV?

 Quais são os pacientes com hepatite viral que precisam e se

beneficiariam da terapia específica?

 

A alternativa para o tratamento da HBV crônica é o uso do interferon

peguilado. A vantagem do interferon é uma taxa de resposta permanente maior, mas ele tem mais efeitos colaterais e efeitos adversos do que os análogos dos nucleosídeos (veja a seção sobre os antivirais).

Infecção crônica pelo vírus da hepatite C Os pacientes com infecção crônica pelo vírus da hepatite C com enzimas hepáticas elevadas e prova de inflamação e cirrose na biópsia hepática precisam de tratamento. A genotipagem é importante para estabelecer o prognóstico e a duração do tratamento. Os genótipos 1 e 4 apresentam uma resposta menos favorável. Conseguiu-se uma resposta melhor combinando-se o interferon-α-2a peguilado e a ribavirina e, recentemente, com a combinação de inibidores da protease do HCV: boceprevir e telaprevir. Ao contrário da infecção pelo vírus da hepatite B, a resposta sustentada pode ser adequada para a cura.

Pontos principais

 Pode-se prevenir a infecção pelos vírus das hepatites B e A pela

vacinação.

 A infecção crônica pelo HBV e HCV é definida como uma infecção

por mais de 6 meses, podendo, com o tempo, resultar em cirrose hepática, insuficiência hepática, carcinoma hepatocelular e complicações extra-hepáticas. A terapia específica para os pacientes com hepatite crônica ativa pode prevenir essas complicações.

 

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