Virologia
Resistência genética a determinadas infecções virais
Tabela 1
Condições congênitas associadas a maior suscetibilidade a infecções virais
Déficit Condições Suscetibilidade a infecções virais
Células T Candidíase mucocutânea Herpes simples, varicela-zoster
crônica (recorrência)
Síndrome de DiGeorge Suscetibilidade aumentada a infecções
virais
Células T e B Ataxia telangiectasia Infecções respiratórias virais recorrentes
Imunodeficiência Altamente suscetível à maioria das
combinada grave infecções virais (IDCG)
Síndrome de Wiskott- Infecções respiratórias, herpes simples
Aldrich recorrente
Síndrome A infecção pelo vírus Epstein-Barr leva à
linfoproliferativa doença com risco de morte ligada ao X
Anticorpos (devido ao Imunodeficiência comum Infecções respiratórias e gastrintestinais
déficit de células B) variável (como o rotavírus)
Deficiência seletiva de Excreção prolongada de poliovírus
anticorpo (IgA)
Agamaglobulinemia Infecções respiratórias e gastrintestinais
ligada ao X (incluindo infecções virais)
Resistência genética a determinadas
infecções virais
O fato de haver diferenças genéticas entre os indivíduos com frequências alélicas distintas em várias populações implica na existência de diferenças de resistência a infecções específicas entre os indivíduos e grupos. Um exemplo bem conhecido envolve pessoas que são homozigotos para determinado polimorfismo no receptor CCR5 (um correceptor usado pelo HIV), a deleção Δ32, que as torna altamente resistentes à infecção por HIV
(Fig. 1). Esse polimorfismo é especialmente comum em determinadas populações europeias. Outro exemplo envolve pessoas do Haiti e África Ocidental que são resistentes a complicações pelo vírus da dengue, uma associação que é provavelmente genética, ainda que os polimorfismos particulares não tenham sido identificados. Muitas estirpes de norovírus podem causar diarreia, mas qualquer cepa em particular causa diarreia em determinados pacientes com receptores teciduais que permitem a infecção – outros indivíduos são resistentes. A resistência viral específica de espécies de hospedeiro pode ser fornecida por fatores de restrição celular: a proteína TRIpartite 5 alfa (TRIM5α) é uma proteína intracelular que se liga a capsídeos retrovirais, prevenindo a replicação, provavelmente tornando esses capsídeos virais alvos de degradação intracelular por proteassomos. Um retrovírus em particular (do gênero Lentivirus) e a TRIM5α do seu hospedeiro parecem ter coevoluído. Portanto, uma TRIM5α em particular restringiria a replicação de lentivírus que se adaptaram a outras espécies hospedeiras, enquanto seus próprios lentivírus se adaptaram para escapar da ação da TRIM5α do seu hospedeiro. Outros fatores de restrição, como APOBEC3G e APOBEC3F, limitam a replicação viral por meio da hipermutação da fita simples de DNA formada durante a transcrição reversa. A proteína vif codificada pelo HIV-1 evoluiu para que ele escapasse das ações da APOBECEG/F. Portanto, a TRIMα e APOBEC3G/F. conferem resistência natural, espécie-específica ao hospedeiro contra a infecções retrovirais.