Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 200 de 211

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Virologia

Capítulo 56: Doenças virais sexualmente transmissíveis

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Doenças virais sexualmente

transmissíveis

 

Introdução

As infecções virais do trato genital são responsáveis por uma morbidade e mortalidade significativas no mundo todo, afetando ambos os parceiros e os filhos de pessoas infectadas, assim como as indústrias, como a de trabalhadores na indústria do sexo e os caminhoneiros, nos quais as doenças sexualmente transmissíveis são bem estudadas.

A maioria dos agentes infecciosos pode se disseminar pelo contato sexual

– se o contato pessoal podem resultar na transmissão, teoricamente, a transmissão é mais provável com um contato mais íntimo. Por outro lado, várias formas de contato não sexual pode resultar em transmissão da maioria dos organismos que se consideram que sejam infecções sexualmente transmissíveis podendo, de fato, ser mais comum do que a disseminação sexual. Portanto, considera-se uma infecção sexualmente transmissível quando a via sexual é a habitual de disseminação ou aquela em que a via sexual é significativa o suficiente para exigir uma intervenção.

 

Infecções virais específicas

HIV

Para maiores detalhes, veja os capítulos sobre o HIV.

Epidemiologia

O HIV é encontrado no mundo todo e, atualmente, cerca de 40 milhões de pessoas estão infectadas e, dessas, 60% vivem na África subsaariana. A disseminação se dá, principalmente, pelo contato sexual, com a transmissão da mãe para os filhos tendo um impacto significativo. Outras formas de disseminação incluem o compartilhamento de agulhas para o uso de drogas EV e casos raros de transmissão associada à transfusão/transplante.

Características clínicas

A infecção por HIV apresenta uma fase aguda, que é sintomática em cerca de 50% dos casos, geralmente com sintomas não específicos. Isso é seguido por um período de saúde relativa, conforme o sistema imunológico se deteriora no decorrer de vários anos, levando à doença clínica nos estágios mais avançados da doença.

Tratamento

O tratamento padrão é a terapia tríplice com medicamentos antirretrovirais – a terapia antirretroviral altamente ativa (TARVAT) ou HAART. Cepas resistentes aos fármacos podem ser transmitidas sexualmente.

 

Herpes simples

Epidemiologia

Os vírus do herpes simples 1 e 2 são encontrados no mundo todo, apenas

nos seres humanos. O vírus do herpes simples tipo 2 é tradicionalmente associado ao herpes genital, e o tipo 1 com o herpes labial, mas acredita-se que o tipo 1 seja responsável por 20 a 25% dos casos de herpes genital. A soroprevalência do HSV-1 no mundo é de cerca de 90%, apesar de em países desenvolvidos ser menor do que 70%. O HSV-2 tem uma soroprevalência de 25% em alguns países desenvolvidos, atingindo 95% nos trabalhadores da indústria do sexo. Acredita-se que a soroprevalência do HSV-2 seja menor do que a do HSV-1 devido à proteção parcial fornecida por uma infecção inicial por este vírus e devido ao fato de a atividade sexual causar menos exposição ao HSV-2 do que o beijo ao HSV-1.

Características clínicas Cerca de 80% dos pacientes soropositivos para o HSV-2 relatam se lembrar

da infecção primária (Fig. 1) ou terem herpes genital recorrente. Quando a doença clínica da infecção primária se manifesta, ela varia de leve a grave, com sintomas de febre, mal-estar, disúria e linfadenopatia inguinal local. Lesões vesiculares aparecem na base da glande e corpo do pênis, nos homens, e na vulva, nas mulheres, mas podem ser mais disseminadas. A condição pode durar até 3 semanas.

 

FIG. 1 Infecção primária por HSV-2 – herpes genital. (A fotografia é uma cortesia do Prof. H. F. Jordaan, University of Stellenbosch.)

Depois que o indivíduo está infectado, o vírus fica dormente nos gânglios

sacrais, podendo se reativar. Episódios recorrentes, relatados em cerca de 60% dos que são sabidamente infectados, são menos graves e geralmente associados a poucas vesículas que causam irritação. A reativação e a excreção do vírus podem ocorrer sem sintomas. Complicações, mais comuns na infecção primária, incluem infecção bacteriana secundária e meningite, encefalite e radiculomielite sacral. A infecção por HSV-1 oferece proteção parcial e, se uma infecção por HSV-2 ocorrer em uma pessoa infectada por HSV-1, os sintomas são geralmente mais leves do que os que ocorrem em uma pessoa que não foi infectada.

Tratamento

O aciclovir, valaciclovir, penciclovir e fanciclovir podem ser usados para tratar a infecção ou suprimir a recorrência em pacientes que têm episódios regulares. Em casos de resistência, pode-se usar o ganciclovir ou o foscarnet, mas a resistência em indivíduos imunocompetentes é extremamente rara e essa estirpe resistente é raramente transmitida.

 

Hepatite B

Epidemiologia

Aproximadamente uma em 20 pessoas no mundo estão infectadas pelo

HBV, a maioria no oriente. O vírus da hepatite B (HBV) é altamente infeccioso. Nos países em desenvolvimento, a maioria das infecções ocorre em crianças, mas o HBV é relevante para os adultos do mundo todo.

Características clínicas

Pode ocorrer hepatite aguda que é seguida, em alguns pacientes, de hepatite B crônica. Para maiores detalhes, por favor veja o capítulo sobre a hepatite B.

Tratamento

Para maiores detalhes, por favor veja o capítulo sobre a hepatite B.

 

Papilomavírus humano

Epidemiologia

Existem mais de 100 tipos conhecidos de papilomavírus humanos (HPV)

dos quais mais de 30% afetam a área genital. A infecção do trato genital pelo HPV é comum, variando com a idade e o estilo de vida – pode-se detectar o HPV em esfregaços do colo do útero com citologia normal em 5% a 45% das mulheres. Os tipos comumente associados ao condiloma sem potencial de malignidade são o HPV-6 e o 11, enquanto aqueles com potencial de malignidade incluem o HPV-16, 18, 31 e 45.

Características clínicas

O condiloma acuminado (Fig. 2) é causado por HPV-6, 11 e 16, enquanto aqueles com potencial maligno (o HPV-16 e 18 são os mais comuns) causam lesões pré-malignas que podem ou não progredir para uma lesão maligna na forma de carcinoma peniano, anal, vaginal, vulvar ou do colo do útero. Nem todo indivíduo infectado por um desses vírus desenvolve doença maligna, existindo outros fatores envolvidos na carcinogênese.

 

FIG. 2 Condiloma acuminado escrotal grave. (A fotografia é uma cortesia do Prof. H. F. Jordaan, University of Stellenbosch.)

 

Conduta

A prevenção é essencial. Os preservativos ajudam a prevenir a infecção nas mulheres; há incerteza quanto aos homens. Vacinas contra o HPV estão, atualmente, em fase de pesquisa clínica; elas podem prevenir a infecção primária, mas também a alteração maligna.

Pode-se tratar o condiloma acuminado com aplicação local de podofilina,

crioterapia ou remoção cirúrgica, por exemplo, a circuncisão, nos homens, se as verrugas forem limitadas ao prepúcio. Se houver a permanência de uma pequena área infectada depois da cirurgia, ocorre a recorrência das verrugas.

A crioterapia, evaporação com laser, eletrodiatermia e cirurgia de alta

frequência podem ser utilizadas para lesões precoces no colo do útero. Também se usou o interferon, frequentemente depois de outras formas de destruição ou cirurgia, com resultados variáveis.

Para lesões pré-malignas tardias ou lesões malignas, são realizados, nas

mulheres, graus variáveis de histerectomia; nos homens, pode ser necessária à realização de penectomia parcial ou total.

Molusco contagioso

Epidemiologia

O molusco contagioso é visto no mundo todo, com maior prevalência em

grupos socioeconômicos mais baixos. São conhecidos três tipos; é possível que o tipo II apresente a maior associação com a transmissão sexual. A transmissão também pode ocorrer por compartilhamento de toalhas, por exemplo, ou o ato de coçar.

Características clínicas

Inicialmente, a lesão aparece como uma pápula pequena. A lesão madura é

uma lesão cérea, semelhante a uma pérola, frequentemente umbilicada (Fig.

3). Geralmente o número de lesões é limitado a menos de 20 em indivíduos imunocompetentes. A resolução geralmente é espontânea.

 

FIG. 3 Molusco contagioso. (A fotografia é uma cortesia do Prof. H. F. Jordaan, University of Stellenbosch.)

 

Tratamento

A intervenção cirúrgica tem um valor estético. A crioterapia ou o tratamento químico pode ser útil; um trauma leve pode estimular uma resposta imunológica, resultando em cura.

Citomegalovírus A extensão pela qual o citomegalovírus (CMV) é disseminado sexualmente é motivo de debate, pois é difícil determinar quanto do 1% de aumento anual na soropositividade visto em indivíduos de países desenvolvidos após a puberdade é devido ao contato da mucosa oral bucal (beijo) e quanto é devido ao contato sexual que é, geralmente, acompanhado pelo contato da mucosa bucal. A evidência mais significativa para a transmissão sexual é encontrada na comunidade homossexual.