Virologia
Capítulo 3: Classificação dos vírus
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Classificação dos vírus
O futuro da classificação
A classificação tradicional
Tradicionalmente, os vírus foram classificados fenotipicamente, ou seja,
pela estrutura, tamanho, tipo de genoma, estratégia de replicação, hospedeiro e doenças causadas. São usados dois sistemas principais de classificação – a classificação do International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV) e a classificação de Baltimore.
A classificação de Baltimore divide os vírus em sete grupos baseados em
uma combinação de tipo de genoma e estratégia de replicação, especificamente como o mRNA é formado a partir do genoma original. Subdivisão nesse sistema é possível, podendo ser visto nos dez diagramas
que mostram ciclos de replicação diferentes no Capítulo 2, Figura 2.
A classificação do ICTV é semelhante à classificação de organismos
celulares em gênero e espécie. O ICTV usa ordem (-virales), famílias (viridae), subfamílias (-virinae), gênero (-virus) e espécies. As relações são determinadas pelo tipo de genoma e similaridade na sequência. Já que a combinação do tipo de genoma, estratégia de replicação, presença de um envelope e morfologia frequentemente se correlacionam com as relações genéticas, existe uma sobreposição considerável entre os sistemas de classificação. Os vírus mais relevantes para os seres humanos estão listados
na Tabela 2.
A sequência de nucleotídeos do genoma viral é capaz de dar informações
sobre relações gênicas entre os vírus, indicando suas origens e evolução. A relação entre o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e seu correlato
símio, o SIV, foi bem estudada. As relações genéticas e evolucionárias (Fig.
1) entre os vírus são, atualmente, importantes na sua classificação e de seus
subtipos. A sequência de DNA (Fig. 2) é determinada e comparada a de outros vírus semelhantes definindo, assim, uma relação. Um grupo de vírus mais intimamente relacionados se agrupará em um clado com um nó ancestral comum. Dependendo de como esse clado difere de outros vírus relacionados, ele pode ser classificado como uma espécie separada ou um
subtipo viral (Tabela 1).
Tabela 1
Classificação dos vírus Historicamente, os vírus foram classificados de acordo com uma combinação de propriedades
Tipo de ácido Genoma de DNA ou RNA, transcrição reversa, genoma de fita simples ou
nucleico dupla, genoma circular ou linear
Morfologia Envelope presente/ausente, simetria icosaédrica/helicoidal/complexa,
tamanho, número de capsômeros, estrutura da superfície
Epidemiologia Distribuição geográfica, disseminação sazonal, grupos etários, tipos de
transmissão, por exemplo, sexual, perinatal, respiratória
Doenças e Hepatite, vírus respiratórios; corpos de inclusão e sincício
patologia
causadas
Propriedades Neutralização por determinados anticorpos – tipo/subtipo viral
antigênicas
Sensibilidade a Luz ultravioleta, cloro, éter, formaldeído etc.
vários agentes
FIG. 1 Classificação filogenética.
FIG. 2 Sequência de DNA.
Pontos principais
Organismos, incluindo os vírus, são classificados, atualmente, mais
pela sua sequência gênica e menos por aspectos fenotípicos (Fig. 3).
FIG. 3 Vírus e famílias de vírus agrupados pelo tipo de genoma. Tabela 2
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