Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 6 de 211

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Virologia

Capítulo 3: Classificação dos vírus

3

 

Classificação dos vírus

 

O futuro da classificação

A classificação tradicional

Tradicionalmente, os vírus foram classificados fenotipicamente, ou seja,

pela estrutura, tamanho, tipo de genoma, estratégia de replicação, hospedeiro e doenças causadas. São usados dois sistemas principais de classificação – a classificação do International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV) e a classificação de Baltimore.

A classificação de Baltimore divide os vírus em sete grupos baseados em

uma combinação de tipo de genoma e estratégia de replicação, especificamente como o mRNA é formado a partir do genoma original. Subdivisão nesse sistema é possível, podendo ser visto nos dez diagramas

que mostram ciclos de replicação diferentes no Capítulo 2, Figura 2.

A classificação do ICTV é semelhante à classificação de organismos

celulares em gênero e espécie. O ICTV usa ordem (-virales), famílias (viridae), subfamílias (-virinae), gênero (-virus) e espécies. As relações são determinadas pelo tipo de genoma e similaridade na sequência. Já que a combinação do tipo de genoma, estratégia de replicação, presença de um envelope e morfologia frequentemente se correlacionam com as relações genéticas, existe uma sobreposição considerável entre os sistemas de classificação. Os vírus mais relevantes para os seres humanos estão listados

na Tabela 2.

A sequência de nucleotídeos do genoma viral é capaz de dar informações

sobre relações gênicas entre os vírus, indicando suas origens e evolução. A relação entre o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e seu correlato

símio, o SIV, foi bem estudada. As relações genéticas e evolucionárias (Fig.

1) entre os vírus são, atualmente, importantes na sua classificação e de seus

subtipos. A sequência de DNA (Fig. 2) é determinada e comparada a de outros vírus semelhantes definindo, assim, uma relação. Um grupo de vírus mais intimamente relacionados se agrupará em um clado com um nó ancestral comum. Dependendo de como esse clado difere de outros vírus relacionados, ele pode ser classificado como uma espécie separada ou um

subtipo viral (Tabela 1).

Tabela 1

Classificação dos vírus Historicamente, os vírus foram classificados de acordo com uma combinação de propriedades

Tipo de ácido Genoma de DNA ou RNA, transcrição reversa, genoma de fita simples ou

nucleico dupla, genoma circular ou linear

Morfologia Envelope presente/ausente, simetria icosaédrica/helicoidal/complexa,

tamanho, número de capsômeros, estrutura da superfície

Epidemiologia Distribuição geográfica, disseminação sazonal, grupos etários, tipos de

transmissão, por exemplo, sexual, perinatal, respiratória

Doenças e Hepatite, vírus respiratórios; corpos de inclusão e sincício

patologia

causadas

Propriedades Neutralização por determinados anticorpos – tipo/subtipo viral

antigênicas

Sensibilidade a Luz ultravioleta, cloro, éter, formaldeído etc.

vários agentes

FIG. 1 Classificação filogenética.

FIG. 2 Sequência de DNA.

 

Pontos principais

 Organismos, incluindo os vírus, são classificados, atualmente, mais

pela sua sequência gênica e menos por aspectos fenotípicos (Fig. 3).

FIG. 3 Vírus e famílias de vírus agrupados pelo tipo de genoma. Tabela 2

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