Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 79 de 211

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Virologia

Patogênese

Pressupõe-se que os tratos respiratório, gastrintestinal e os linfócitos B sejam os locais de multiplicação primária dos poliomavírus. Ocorre uma viremia, que resulta na infecção dos órgãos-alvo, por exemplo, o sistema nervoso central e o trato urogenital. Os vírus persistem nos órgãos-alvo, assim como nos linfócitos B, baço, pulmões e tecido linfoide das tonsilas. A ativação da infecção persistente ocorre como resultado da imunodepressão, sendo observada em pacientes que recebem transplante de medula óssea e renais e com HIV/AIDS. A gravidez e a idade avançada também podem levar à reativação do vírus latente.

 

Quadro clínico

Vírus JC

Leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP)

A LEMP se apresenta como lesões diminutas, múltiplas, dispersas,

desmielinizantes na substância branca subcortical do cérebro, na TC ou ressonância magnética, resultante da infecção primária ou reativação do vírus JC. As lesões apresentam margens irregulares, mostrando evolução clínica e histológica conforme a doença progride. Histologicamente, a doença se manifesta com atrofia cerebral e gliose, afetando, tipicamente, os oligodendrócitos. A doença apresenta um início insidioso, com a morte ocorrendo de 4 a 6 meses após a manifestação neurológica inicial. A LEMP foi descrita em pacientes com HIV/AIDS (especialmente naqueles cuja contagem de células CD4 está abaixo de 50 células/ml) e doenças malignas, assim como em pessoas que recebem tratamento imunossupressor para doenças autoimunes, como o LES, artrite reumatoide, polimiosite, sarcoidose e asma. Ela se apresenta como parte da síndrome inflamatória de reconstituição imune (SIRI) em pacientes HIV-positivo que iniciaram a TARVAT (HAART). Clinicamente as manifestações também podem ser um painel de efeitos neurológicos, mas distúrbios da fala, visuais e motores são vistos frequentemente. A LEMP também pode se apresentar como demência.

Câncer

Os vírus BK e JC foram implicados no desenvolvimento de tumores malignos em animais, como os hamsters e roedores. Pode existir uma associação entre o vírus JC e o câncer colorretal em seres humanos, mas essa associação ainda precisa ser comprovada.

 

Vírus BK

Infecção urogenital

Tanto a infecção primária com o vírus BK em indivíduos

imunocomprometidos e a reativação do vírus persistente pode resultar em doença do trato urogenital. Os receptores de transplante renal podem ter disfunção do enxerto, nefropatia, nefrite túbulo-intersticial e estenose ureteral. Cistite hemorrágica foi relatada em 25% dos receptores de transplante de medula óssea. Também se observou virúria BK, sem evidência de doença sintomática em transplantados. O significado desse achado ainda é incerto.

Outras infecções

A infecção primária ou reativação do vírus BK pode resultar em meningoencefalite e pneumonite intersticial em pacientes imunocomprometidos.

 

Outros poliomavírus

Acredita-se que os vírus KI e WU estejam envolvidos em infecções do trato respiratório, sendo geralmente diagnosticados pela reação em cadeia pela polimerase (PCR). Encontrou-se o poliomavírus de células de Merkel em algumas células do carcinoma das células de Merkel, mas também em tecido normal. Nas células carcinomatosas, ele está integrado ao genoma do hospedeiro, apresenta mutações específicas do tumor e não é mais capaz de replicar.