Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 38 de 211

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Virologia

Métodos de teste para a presença de anticorpos específicos

 Para determinar o risco de reativação da infecção pelo herpes-vírus

em pacientes transplantados imunodeprimidos.

 

Métodos de teste para a presença de

anticorpos específicos

Para detectar a presença de um anticorpo específico no soro de um paciente, usa-se sua habilidade de ligação ao antígeno contra o qual ele é direcionado. O antígeno será usado como parte do teste de anticorpo junto com um sistema que permita a visualização da reação antígeno-anticorpo, se ela ocorrer. Métodos clássicos incluem a inibição da hemaglutinação (HAI) e a reação de fixação de complemento (RFC). Nesse caso, usam-se eritrócitos para tornar a reação visível. Esses testes foram substituídos pelo ensaio de imunoabsorção ligado à enzima (EIE) ou enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA).

O ELISA tradicional é feito usando-se uma placa de microtitulação

contendo 96 poços (Fig. 2). O fundo de cada poço serve como a fase sólida, e as reações subsequentes acontecem no poço. Entre cada etapa, a lavagem meticulosa garante a remoção de todos os reagentes não ligados antes da adição do próximo reagente. O resultado final é a presença de uma enzima ligada a um anticorpo ou antígeno que é capaz de mudar um substrato em uma molécula de cor diferente. A intensidade da mudança de cor resultante (densidade óptica, DO) pode ser usada para medir a atividade (quantidade e funcionalidade) do anticorpo procurado, resultando em valores quantitativos (geralmente expressos como UI/ml) para determinar a

imunidade (fig. 3). Atualmente, sistemas modificados semiautomáticos ou automáticos são muito diferentes, mas ainda usam os mesmos princípios básicos.

FIG. 2 Uma placa de ELISA mostrando resultados positivos (amarelos) e negativos (claros).

 

FIG. 3 Princípios de um ELISA.

Dependendo do propósito do ensaio, o ELISA pode ter “formatos”

diferentes, cada um com suas próprias forças e fraquezas (Fig. 4). O anticorpo para ELISA pode ser usado para distinguir entre anticorpos IgG e IgM, dependendo do anticorpo teste utilizado. Entretanto, o ensaio para IgM pode dar resultados falso-positivos na presença de fator reumatoide (um autoanticorpo IgM reativo com a IgG do próprio corpo); se o soro do paciente contém anticorpos IgG específicos que se ligam ao antígeno na fase sólida, o fator reumatoide se ligará a eles e, subsequentemente, será confundido com IgM específica para o vírus.

 

FIG. 4 Formatos diferentes de ELISA.

A principal vantagem do ELISA competitivo é a sua especificidade; é o

único formato em que a intensidade da cor resultante é inversamente proporcional à atividade do anticorpo. O formato de captura reversa é especialmente útil para testar para a presença de anticorpos em fluidos corporais com baixos níveis de anticorpos, como o fluido oral. A vantagem do ELISA imunométrico ou “sandwich” ELISA é a sua capacidade de detectar anticorpos específicos de todas as classes (IgG, IgM etc.).

Para alguns propósitos, como para a triagem para infecção pelo HIV, é

preferível utilizar os testes rápidos (também chamados de sistemas

automatizados de assistência junto ao leito) (Fig. 5). A possibilidade de se obter o resultado em meia hora ou menos encoraja o uso do teste, reduzindo a taxa de resultados que não são retirados pelos pacientes. A observação visual de como o teste é feito também tende a aumentar a confiança no seu resultado, reduzindo o risco de erros logístico e burocrático. Entretanto, esses testes são feitos por pessoas que não são funcionários treinados de laboratório, sendo difícil manter a garantia e o controle da qualidade.

FIG. 5 Dois testes rápidos diferentes para o HIV (A) imunocromatografia de fluxo lateral e (B) aglutinação em látex.

 

Nos testes rápidos, assim como nos laboratoriais, para triagem de

infecção pelo HIV, o princípio básico é que todos os testes reativos (“positivos”) devem ser confirmados por, pelo menos, mais um exame diferente e, idealmente, em uma segunda amostra independente.

Quadro 1 Interpretando os resultados dos exames

 Sensibilidade:

– Probabilidade de o resultado ser positivo se o paciente estiver

infectado

 Especificidade:

– Probabilidade de o resultado ser negativo se o paciente não estiver

infectado

 Valor preditivo positivo:

– Probabilidade de o paciente estar infectado se o resultado for positivo

 Valor preditivo negativo:

– Probabilidade de o paciente não estar infectado se o resultado for

negativo Quadro 2 Medindo o desempenho do teste

 

FIG. 6 As taxas de soroprevalência influenciam o desempenho do teste!

 

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