Virologia
Capítulo 41: Picornavírus
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Picornavírus
Tabela 1
Classificação
Tabela 2
Estrutura e replicação
FIG. 1 Enterovírus. Repare na presença de alguns vírus com capsídeos vazios. (A fotografi a é uma cortesia do Prof. M. Taylor, University of Pretoria.)
Historicamente, os enterovírus foram classificados em cinco grupos –
poliovírus, Coxsackievírus A, Coxsackievírus B, echovírus e enterovírus recém-identificados. Uma classificação baseada no genoma substituiu essa classificação.
Enterovírus
O genoma e a replicação
Os enterovírus utilizam diferentes receptores para se ligar e infectar as
células, como o receptor de Coxsackievírus-adenovírus, para o Coxsackievírus B1 a B6. Isso explica o tropismo tissular diferente dos picornavírus, por exemplo, fígado, para o vírus da hepatite A, e tecido nervoso, para os poliovírus. O genoma é potencialmente infeccioso, pois
pode atuar como um mRNA para a síntese de proteínas virais. A Figura 2 mostra a representação do ciclo de replicação.
FIG. 2 A replicação dos enterovírus.
Epidemiologia
Os enterovírus são encontrados no mundo todo, apesar de, devido a uma campanha para erradicar a poliomielite, atualmente, a maioria dos países esteja livre dessa infecção, sendo poucos os países que permanecem com poliomielite endêmica e alguns com casos importados que resultam em epidemias. A disseminação é fecal-oral, pois o vírus é excretado nas fezes com alguma eliminação respiratória. Nos casos de conjuntivite, a transmissão se dá por inoculação direta.
Patogênese
O vírus entra pela orofaringe, multiplicando-se no local de entrada e nos intestinos. Dependendo do vírus, ele se dissemina do sangue para vários órgãos. No caso do poliovírus, o tecido nervoso é infectado, enquanto os Coxsackievírus frequentemente infectam o coração. O período de incubação difere conforme o vírus, variando de 2 a 40 dias.
Quadro clínico
Os enterovírus causam uma ampla variedade quadros clínicos. A poliomielite, causada pelos poliovírus, é o quadro clínico que conhecemos melhor, com outros enterovírus, principalmente o enterovírus 71, causando uma doença semelhante à poliomielite. Todos os enterovírus, mais frequentemente os echovírus, os Coxsackievírus B1 a B6, A7 e A9 e o enterovírus 71, podem causar meningite asséptica. Também pode ocorrer encefalite. Os Coxsackievírus B são a causa mais comum de miocardite viral aguda e a sua persistência pode resultar em miocardite crônica ou cardiomiopatia dilatada crônica. A doença de Bornholm, ou pleurodinia epidêmica, infecção dos músculos intercostais ou abdominais superiores, também é causada pelos Coxsackievírus B, assim como, junto com diversos echovírus, a infecção neonatal, que pode variar de uma doença leve a uma doença fulminante envolvendo diversos sistemas. Ocorreram surtos de tal infecção neonatal. Também ocorrem infecções leves do trato respiratório superior, herpangina e conjuntivite com graus variáveis de gravidade. A doença da mão, pé e boca está associada aos Coxsackievírus A e enterovírus 71, enquanto o echovírus 9 pode causar exantemas maculopapulares leves. O mimetismo molecular – em que uma proteína viral é semelhante a uma proteína humana – pode resultar em doença autoimune, e imagina-se que as infecções enterovirais são importantes no desenvolvimento do diabetes tipo 1, apesar de outros fatores, como a genética, também estarem envolvidos.
Pare e pense
O que torna um vírus adequado para ser erradicado? Por que é importante identificar todos os casos de doença paralítica?
Diagnóstico virológico Sorologia: é trabalhosa, envolvendo o uso de ensaios de neutralização para determinar o nível de anticorpos. É usada principalmente para testar a imunidade aos poliovírus e diagnosticar infecção recente por Coxsackievírus A.
Isolamento: os Coxsackievírus A e B foram distinguidos pelos efeitos
patogênicos diferentes que eles causam em camundongos récem-nascidos. Os Coxsackievírus A não se multiplicam em cultura de células, enquanto células de rim de macaco ou linhagens celulares humanas podem ser usadas
para o cultivo dos outros enterovírus. A Figura 3 mostra os efeitos citopáticos do enterovírus em células primárias de rim de macaco. A reação de imunofluorescência nas células infectadas ou ensaios de neutralização, nos quais anticorpos que previnem a infecção pelos enterovírus individuais são adicionados às culturas para verificar quais são os anticorpos que previnem a multiplicação viral, capazes de diferenciar os diferentes tipos de enterovírus.
FIG. 3 Efeito citopático do Coxsackievírus B3 em células primárias de rim de macaco. Repare no grande corpo de inclusão intracitoplasmático empurrando o núcleo para um lado da célula redonda.
Molecular: a reação em cadeia da polimerase (PCR) é usada
frequentemente para diagnosticar a infecção pelos enterovírus, podendo diferenciar entre os diversos tipos. Ela é mais rápida do que o isolamento do vírus.