Virologia
Capítulo 5: Transmissão viral
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Transmissão viral
Os vírus precisam ser capazes de se disseminar de um hospedeiro a outro
para sobreviverem. As propriedades dos vírus influenciam a sua maneira de transmissão. Alguns vírus, como os rotavírus, da hepatite A e enterovírus, excretados nas fezes humanas, são muito resistentes, podendo sobreviver várias semanas no meio ambiente. Outros vírus, como o HIV e diversos paramixovírus, são prontamente inativados pelo ressecamento, necessitando de contato de proximidade entre os seres humanos para serem transmitidos. O segundo fator que influencia o modo de transmissão é o local de multiplicação viral e a quantidade de vírus em um determinado compartimento: o HIV é encontrado no sangue, no tecido linfoide e nas secreções genitais, enquanto os paramixovírus são encontrados nas secreções e gotículas respiratórias – explicando seus métodos diferentes de transmissão. O terceiro fator inclui as adaptações específicas que permitem que os vírus alcancem seus locais de entrada ou o local da multiplicação inicial. Muitas vezes, os vírus excretados nas fezes são ingeridos novamente quando as pessoas consomem alimentos contaminados, comem com as mãos contaminadas ou bebem água contaminada. Esses vírus têm capas resistentes (capsídeos) que permitem que sobrevivam ao ambiente muito ácido do estômago e à bile, muito alcalina, e alcancem o intestino delgado, infectando os enterócitos, onde se multiplicam. Outro exemplo é o vírus da influenza que possui uma enzima em sua superfície – a neuraminidase – que pode destruir os receptores nas células respiratórias que poderiam prender os vírus à célula-mãe após brotarem dela. Essa enzima também pode liquefazer o muco que impediria o vírus de se disseminar pelo trato respiratório.
Os vírus que são adaptados para terem parte do seu ciclo de
multiplicação em hospedeiros vertebrados e outra parte em um artrópode são chamados de arbovírus. Esses vírus se multiplicam tanto no artrópode (geralmente nas glândulas salivares) quanto no hospedeiro vertebrado, sendo que os artrópodes (insetos ou aracnídeos, como os carrapatos) transmitem esses vírus entre hospedeiros vertebrados. Alguns arbovírus também são transmitidos para os ovos dos artrópodes (transmissão transovariana). Portanto, esses vírus estão adaptados para se multiplicarem em condições muito diferentes, geralmente infectando uma ampla gama de hospedeiros.
Existem várias vias de transmissão, que estão listadas na Tabela 1. As
principais vias de transmissão incluem a transmissão direta entre seres
humanos, por exemplo, pelas gotículas de saliva durante a tosse (Fig. 1A) e
o espirro (Fig. 1B); da mãe para o filho (transmissão vertical) (Fig. 2) e
transmissão pelo sangue (Fig. 3), que são casos especiais de transmissão entre seres humanos; animal-ser humano: contato direto, por exemplo,
mordida de cachorro (Fig. 4); ser humano-meio ambiente-ser humano, por
exemplo, transmissão fecal-oral (Fig. 5); ou animal-ser humano por meio de
um vetor-ser humano (Fig. 6).
Tabela 1
Vias de transmissão dos vírus para os seres humanos
Via Natureza da transmissão Exemplos
Transmissão entre seres Contato de proximidade pelo Herpes simples bucal e vírus
humanos beijo Epstein-Barr
Gotículas respiratórias grandes Paramixovírus (caxumba),
rubéola
Sangue e derivados HIV, vírus da hepatite B, vírus da
hepatite C
Contato sexual Herpes genital, HIV, verrugas
genitais
Abrasões Verrugas cutâneas, molusco
contagioso
Mãos contaminadas – vírus Vírus da hepatite A, rotavírus
excretado nas fezes
Mãos contaminadas – vírus Rinovírus
nas secreções respiratórias
Transmissão vertical (mãe- Intrauterina Rubéola, HIV
filho)
Durante o parto Vírus da hepatite B, HIV Aleitamento materno HIV, HTLV
Humano-meio ambiente- Vírus excretado nas fezes: Vírus da hepatite A, enterovírus,
humano comida, superfícies, água rotavírus, calicivírus
contaminadas
Superfícies contaminadas com Rinovírus
secreções respiratórias
Vírus aerossolizados de Vírus da influenza
secreções respiratórias
Animal-humano por meio de Por mosquitos Febre amarela, Nilo Ocidental
um vetor para humanos:
arbovírus
Por carrapatos Encefalite transmitida por
carrapatos, febre hemorrágica
Crimeia-Congo
Transmissão direta animal- Mordidas de animais Raiva
humano
FIG. 1 Transmissão de vírus por tosse (A) e espirro (B).
FIG. 2 Transmissão intrauterina da mãe para o filho (vertical).
FIG. 3 Transmissão direta do vírus pelo sangue.
FIG. 4 Transmissão do animal para o ser humano diretamente de um cachorro, por exemplo, a raiva.
FIG. 5 Transmissão humana-meio ambiente-humana, por exemplo, hepatite A, por mãos sujas para manipular a comida.
FIG. 6 Transmissão por meio de um vetor, o mosquito Aedes (a fotografia é uma cortesia do CDC/James Gathany).
Pare e pense
Quais as características necessárias para que os vírus sejam
transmitidos de maneira eficaz no meio ambiente?
A transmissão sexual é benéfica para a sobrevivência viral? Os vírus que são transmitidos por gotículas da tosse ou espirro caem
geralmente em superfícies ou nas mãos das pessoas. As pessoas frequentemente tocam seus próprios olhos. Levando esses fatores em consideração, o que pode ser feito para reduzir o risco de contrair essas infecções?
Pontos principais
As características dos vírus influenciam sua capacidade de sobreviver
em ambientes diferentes e, portanto, sua via de transmissão.
Os vírus são transmitidos por contato direto entre humanos, entre
humanos-meio ambiente-humanos, de animais para humanos e de animais para humanos por meio de um vetor.
Alguns vírus são extremamente específicos para o hospedeiro, mas os
arbovírus precisam ser promíscuos para sobreviverem e serem transmitidos eficazmente.
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