Virologia
Epidemiologia
fita simples. A Figura 1 mostra a estrutura do genoma e a Figura 2 ilustra a multiplicação dos FVs.
FIG. 1 A estrutura do genoma dos flavivírus.
FIG. 2 Multiplicação dos flavivírus.
Epidemiologia A principal via de transmissão dos FVs humanos é pelo sangue ou de derivados do sangue (o vírus da hepatite C ou qualquer um dos arbovírus durante a fase virêmica) ou por meio de artrópodes – mosquitos e carrapatos. Para maiores detalhes sobre o vírus da hepatite C, veja o capítulo sobre as hepatites virais. O restante dessas discussões focará os arbovírus que necessitam de um vetor artrópode para ser transmitido de um animal para outro, sendo adaptados para se multiplicar nesses dois sistemas hospedeiros bastante diferentes. Alguns desses FVs também podem ser transmitidos entre insetos por via transovariana ou sexual – os insetos e animais atuam como reservatórios.
Alguns vírus são altamente específicos para o hospedeiro enquanto
outros infectam diversas espécies de animais.
A abrangência de várias dessas infecções se expandiu durante o século
passado. A dengue era, inicialmente, encontrada no sudeste asiático, mas atualmente é encontrada por toda a área tropical. A encefalite japonesa (JE) era inicialmente encontrada nas áreas temperadas do leste da Ásia, disseminando-se para o sudeste asiático e o sul da Ásia até 1970. O vírus do Nilo Ocidental (WN) era restrito à África e à Eurásia, mas foi introduzido nas Américas em 1999, onde se disseminou.
O vírus da febre amarela (FA) apresenta dois ciclos epidemiológicos: um
padrão de transmissão no ambiente silvestre e outro de transmissão urbana. Na transmissão silvestre envolvendo animais, os primatas são o reservatório e os seres humanos que entram na selva são hospedeiros acidentais quando são picados por mosquitos da floresta. No ciclo de transmissão urbana, os seres humanos atuam como reservatório e a infecção é transmitida pelo mosquito antropofílico Aedes aegypti. Para os FVs, exceto o vírus da dengue e a FA urbana, os hospedeiros humanos não são reservatórios importantes, mas são, geralmente, hospedeiros terminais. Entretanto, relataram-se recentemente casos raros de transmissão do vírus WN entre seres humanos durante transplantes de órgãos e transfusão de sangue. Foram registrados também casos raros de transmissão in utero dos vírus JE, WN e dengue e a transmissão do vírus WN pelo leite materno.
No caso do vírus JE, ele é transportado por grandes distâncias pelas
garças e outros pássaros. A infecção é, então, transmitida por mosquitos para os porcos que atuam como hospedeiros amplificadores. O mosquito Culex e outras espécies de mosquitos transmitem a infecção dos porcos para os seres humanos.