Virologia
Capítulo 48: Doença gastrintestinal
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Doença gastrintestinal
Introdução
Os vírus são a causa mais comum de gastrenterite no mundo todo. Cerca de 4 a 6 milhões de pessoas morrem de diarreia todo ano. Os rotavírus humanos (RVs), calicivírus, astrovírus (HAsV) e adenovírus são os vírus mais comumente associados à gastrenterite, embora diversas outras doenças virais possam ser complicadas por sintomas gastrintestinais. Até mesmo epidemias de síndrome respiratória aguda grave (SARS), coronavírus, influenza aviária pelo H5N1 e do vírus Ebola estão associados à gastrenterite.
O RV é a causa mais comum de diarreia infantil no mundo todo e a causa
mais comum de hospitalização devido à gastrenterite infantil nos países industrializados. Outras causas virais comuns incluem os astrovírus humanos, adenovírus entéricos humanos e calicivírus. Os calicivírus (gênero Norovirus [NV]) são a causa mais comum de epidemias de gastrenterite nos países desenvolvidos.
Rotavírus
Propriedades
Os RVs são partículas redondas, com um duplo capsídeo, nus, com uma
morfologia característica à microscopia eletrônica (ME), por isso o nome rotavírus (rota significa roda em latim). Esses vírus têm um diâmetro de aproximadamente 70 nm e contêm 11 segmentos de RNA de fita dupla. Os RVs são muito resistentes à dissecação, podendo manter sua infectividade no meio ambiente ou nas fezes por mais de 7 meses.
Epidemiologia
Surtos de rotavírus são mais comuns no inverno nas regiões temperadas. Ele se dissemina pela via fecal-oral e, possivelmente, pela via respiratória. Eles causam cerca de 50% dos casos de gastrenterite infantil. Os surtos tipicamente ocorrem em creches e hospitais.
Existem diversos sorotipos de RVs, permitindo inúmeras infecções nos
seres humanos, apesar de haver alguma proteção imunológica cruzada. Portanto, a primeira infecção pelo rotavírus apresenta uma tendência a ser mais grave. Os RVs são responsáveis por 600 mil a 1 milhão de mortes ao ano, sendo a principal causa de hospitalização devido à diarreia.
Patogênese
O período de incubação é de 1 a 4 dias. O RV infecta os enterócitos, resultando em atrofia das vilosidades do duodeno e íleo superior. A regeneração dos enterócitos é necessária para que os indivíduos apresentem
recuperação clínica. A atrofia grave das vilosidades (Fig. 1) leva à perda das enzimas da borda em escova e, portanto, a infecção pelos rotavírus é frequentemente seguida de diarreia prolongada e intolerância à lactose. Uma proteína viral, a NSP4, também atua como uma enterotoxina, causando um componente secretor na diarreia. O vírus também pode ativar o sistema nervoso intestinal, levando a aumento da secreção de fluido e eletrólitos. A infecção não está restrita apenas ao trato entérico, mas o vírus pode ser detectado no sangue em alguns casos de infecção, o que pode explicar os diversos sintomas sistêmicos.
FIG. 1 Atrofia das vilosidades.