Virologia
Quadro clínico em animais
Pode-se reconhecer os animais com raiva devido ao seu comportamento anormal que inclui: irritabilidade, perambulando inquietamente por quilômetros, ataques não provocados aos seres humanos, hipersalivação, disfagia, tremores, paralisia da mandíbula, pescoço ou extremidades e uma alteração na qualidade do latido. Nem todos os animais infectados morrem.
Quadro clínico nos seres humanos
O período de incubação da raiva nos seres humanos é geralmente de 20 a 90 dias, mas pode ser de até 19 anos! Observaram-se períodos de incubação mais curtos em crianças, com mordidas na cabeça, pescoço e face (uma distância mais curta até o SNC), com mordidas múltiplas, uma inoculação viral grande e mordidas em áreas com grande densidade de nervos.
A encefalite causada pelo vírus da raiva pode ser precedida de sintomas
prodrômicos, como febre, alterações do humor, agitação, medo, inquietação, irritabilidade, insônia, pesadelos e depressão. Os pacientes também podem se queixar de mal-estar, perda do apetite, cefaleia, cansaço e dor de garganta. Cinquenta por cento dos pacientes se queixam de prurido e parestesia no local da ferida. Tremores e fasciculações podem estar presentes. A encefalomielite da raiva geralmente ocorre 1 semana depois do pródromo. Ela pode se apresentar clinicamente de duas maneiras. A raiva furiosa (excitada, louca) é a forma mais comum, sendo caracterizada por uma série de espasmos inspiratórios nos músculos respiratórios precipitados pela visão, o pensamento ou o som da água. A isso se chama de hidrofobia (medo da água), sendo patognomônico da doença. Os espasmos também podem ser desencadeados por jatos de ar na pele exposta ou aerofobia. O paciente tem períodos de excitação e também de “lucidez”. Os pacientes podem apresentar instabilidade autonômica disseminada com aumento da secreção de saliva, suor e lágrimas. Eles também podem apresentar elevações transitórias na pressão arterial, taquicardia, anormalidades no ECG, defeitos pupilares e síndrome de Horner.