Virologia
Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave
Molecular: reação em cadeia da polimerase (PCR) – geralmente usada
em centros especializados.
Tratamento específico
Não existe tratamento específico para os coronavírus. O tratamento é sintomático e de suporte.
Prevenção
Higiene e desinfecção gerais podem prevenir a transmissão entre pessoas. Não existe vacina disponível.
Coronavírus da síndrome respiratória aguda
grave
Epidemiologia
Entre novembro de 2002 e julho de 2003, 8.096 possíveis casos de SARS
foram relatados para a Organização Mundial da Saúde. O número total de mortes atingiu 774, com uma taxa de mortalidade de 9,6%. Desde então, ocorreram três surtos associados a laboratórios, com um total de 11 casos. Desde então, a SARS não está circulando.
O SARS-CoV entrou na população humana a partir de uma fonte animal
– descobriram-se diversos animais com vírus muito parecidos. A epidemia começou na província de Guangdong, na China, e se disseminou para o Vietnã e Hong Kong e depois para outros países. A disseminação do vírus se deu por meio de gotículas respiratórias e, portanto, o contato com superfícies era importante. Como ele era excretado pelo trato gastrintestinal, a transferência fecal-oral era uma possibilidade. Determinados indivíduos, chamados de superdisseminadores, eram mais infecciosos do que outros e, imagina-se, que foram responsáveis pela maior parte da transmissão. O período de incubação era de 4 a 6 dias (variando de 1 a 14 dias); os pacientes só eram infecciosos durante o período sintomático, sendo mais infecciosos durante a segunda semana da doença.
Pare e pense
Quais são os outros agentes infecciosos que causam epidemias e
pandemias?
Quais são os novos vírus clinicamente relevantes que foram
descobertos recentemente?
Em que outras infecções a resposta imunológica desempenha um papel
importante na patologia?
Patogênese
Foi difícil determinar a patogênese da SARS baseado nos achados da necrópsia devido à confusão causada pelos efeitos do tratamento, por exemplo, ventilação e medicamentos. O vírus se multiplica no trato respiratório inferior, sendo seguido de uma resposta imunológica natural e específica e tanto os fatores virais quanto a resposta imune (por exemplo, desregulação de citocinas) participam da patogênese. O primeiro estágio da doença está associado ao dano alveolar difuso, infiltração de macrófagos e células T e proliferação de pneumócitos do tipo 2. O infiltrado pulmonar parece salpicado na radiografia do tórax. No segundo estágio ocorre a organização. A infecção não está limitada ao sistema respiratório. O vírus se multiplica nos enterócitos, resultando em diarreia e excreção do vírus nas fezes, assim como na urina e, possivelmente, em outros fluidos corporais.
Quadro clínico
A primeira fase da doença consiste de febre superior a 38 °C com tremores, mialgia, dor de garganta e sintomas gastrintestinais, com o início da tosse e, frequentemente, dispneia depois de 3 a 7 dias. Pode-se desenvolver hipóxia e 10% a 20% dos pacientes necessitam de ventilação mecânica. Podem ocorrer linfopenia e neutropenia relativas. Alguns pacientes apresentaram um curso bifásico com uma recuperação aparente seguida de piora de sua condição clínica. A mortalidade foi maior nos idosos e menor na população jovem e doenças preexistentes pioraram a morbidade e mortalidade.
Diagnóstico
Inicialmente, era preciso identificar o agente etiológico, o que foi feito rapidamente por meio do esforço conjunto de cientistas de todo o mundo usando uma combinação de técnicas sorológicas, cultura viral, microscopia eletrônica, histopatologia e métodos moleculares para diminuir a lista de agentes possíveis até o ponto em que o coronavírus específico foi identificado. Esse foi um caso incrível para identificar um organismo desconhecido.
A exclusão de outros organismos que poderiam causar uma patologia
semelhante, assim como o estabelecimento de uma ligação epidemiológica foram importantes no diagnóstico individual de SARS:
Sorologia: a presença de anticorpos indicava a presença de infecção e foi
parte dos critérios diagnósticos (um aumento de quatro vezes nos títulos de anticorpos ou soroconversão).
Isolamento: microscopia eletrônica (Fig. 3).
FIG. 3 Coronavírus sob a microscopia eletrônica. (A fotografia é uma cortesia do CDC/Fred Murphy.)
Cultura de células: células Vero.
(Os critérios diagnósticos exigiam a confirmação pela reação em cadeia
da polimerase [PCR] para identificar o vírus, como o SARS-CoV).
Molecular: reação da transcrição reversa seguida da reação em cadeia da
polimerase (RT-PCR) (dois ou mais conjuntos de iniciadores (primers) na mesma amostra positiva ou duas amostra positivas ou mais eram exigidos nos critérios diagnósticos).
Tratamento específico
O tratamento de suporte, como a ventilação mecânica, foi o principal tratamento dos pacientes com SARS. Tratamentos específicos, como corticosteroides, permanecem controversos em relação a seus efeitos, se são prejudiciais ou benéficos. A ribavirina foi usada, pois é um análogo da guanosina de amplo espectro, e pareceu apresentar algum benefício, assim como outros agentes que mostram um efeito na resposta inflamatória, como a cloroquina e o interferon, assim como agentes que interferem na atividade da protease dos coronavírus, como a combinação lopinavir/ritonavir usada no tratamento do HIV. Também se tentou a imunoglobulina específica para a SARS. O grau de sucesso de cada um desses tratamentos ainda é motivo de debate.
Prevenção
O isolamento dos pacientes infectados e a quarentena das pessoas expostas associados à desinfecção e precauções para o controle de infecção foram os pontos principais na prevenção da disseminação. Investigou-se uma vacina, mas atualmente ela é apenas uma medida acadêmica relevante na pesquisa futura de uma vacina, pois a epidemia acabou e a SARS não está mais circulando.
Pontos principais
A síndrome respiratória grave aguda (SARS) não está mais circulando
na população humana, mas existem estoques laboratoriais.
Os coronavírus representam causas importantes de resfriado nos
adultos e importantes causas de coqueluche e infecção do trato respiratório inferior nos lactentes.
As instalações capazes de diagnosticar as infecções pelos coronavírus
são escassas.
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