Virologia
Tratamento
O desenvolvimento de terapias efetivas contra o HIV transformou essa condição em uma doença crônica tratável. O tratamento do HIV, a chamada terapia antirretroviral altamente ativa (TARVAT) ou highly active retroviral
therapy (HAART), geralmente é composta de três antirretrovirais (Tabela 2) de pelo menos duas classes diferentes. É necessário tomar esses medicamentos por toda a vida para manter a supressão viral. O uso de medicamentos de diferentes classes reduz o risco de resistência precoce. Com a descoberta de novos medicamentos, tornou-se mais fácil tolerar os antirretrovirais, com um número baixo de pílulas, poucos efeitos colaterais e até mesmo a dosagem de uma vez ao dia. Continua a haver um debate sobre os benefícios de se iniciar o tratamento precocemente, e em alguns lugares do mundo desenvolvido é oferecido o tratamento independentemente da contagem de CD4. Infelizmente, para a maioria dos pacientes com HIV, a TARVAT (HAART) ainda é restrita aos pacientes com contagem de CD4 < 200 células/μl.
Tabela 2
Medicamentos antirretrovirais
Inibidores da transcriptase reversa Zidovudina (AZT), Estavudina (d4T), Didanosina
análogos dos (ddI), Lamivudina (3TC), Entracitabina (FTC),
nucleosídeos/nucleotídeos* (ITRN Tenofovir* (TDF), Abacavir (ABC)
E ITTRN*)
Inibidores da transcriptase reversa Efavirenz, Nevirapina, Etravirina
não análogos dos nucleosídeos
(ITRNN)
Inibidores da protease (PI) Lopinavir, Ritonavir1, Darunavir, Atazanavir,
Tipranavir, Fosamprenavir, Indinavir
Inibidores da integrase Raltegravir Inibidores de entrada Enfurvitida Bloqueadores da CCR5 Maraviroc
1 O ritonavir, apesar de ter sido desenvolvido como um PI, atualmente só é usado em dose baixa como um reforço farmacocinético para muitos dos PIs, permitindo que se usem doses mais baixas. Especificamente, ele inibe a citocromo P450-CA4. *O tenofovir é um inibidor da transcriptase reversa análogo dos nucleotídeos (ITTRN).
O desenvolvimento de resistência é um grande obstáculo ao tratamento a
longo prazo com a TARVAT (HAART). Vírus resistentes são resultado da interação entre a diversidade do HIV, a taxa de replicação do vírus e pressão seletiva do medicamento. Os indivíduos que apresentam o maior risco são aqueles que não seguem o tratamento adequadamente, enquanto a resistência transmitida ocorre quando um vírus resistente infecta outra pessoa, por exemplo, o filho de uma mãe com resistência. Identificaram-se mutações ou grupos de mutações específicas associadas à resistência a fármacos específicos, por exemplo, TAMs (mutações dos análogos da timidina), causando resistência ao AZT e outros análogos da timidina. Os
efeitos colaterais cardiovasculares (Tabela 3) dos medicamentos são preocupantes – com acidente vascular cerebral, infartos do miocárdio, anormalidades no lipidograma e diabetes, que são potencialmente problemáticos em pacientes em terapia a longo prazo.