Virologia
Capítulo 17: Fármacos antivirais – história e obstáculos
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Fármacos antivirais – história e
obstáculos
História
Mais de 40 agentes antivirais estão disponíveis atualmente para o tratamento de infecções virais, incluindo as causadas pelo HIV, vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), vírus da influenza e herpes-vírus. Com o desenvolvimento crescente da biologia molecular, muitas das novas pesquisas são direcionadas ao desenho e desenvolvimento de novos fármacos específicos, feitos sob medida para combater infecções virais. Muitos dos fármacos mais antigos foram descobertos acidentalmente. O Dr.
Bill Prusoff (Fig. 1) descobriu as propriedades antivirais da idoxuridina (ou iododesoxiuridina), um fármaco ativo contra o herpes-vírus (HSV), enquanto tentava desenvolver fármacos para combater doenças neoplásicas. Em 1977, um dos fármacos antivirais mais potentes, o aciclovir, foi descoberto durante um programa de desenvolvimento de fármacos que não estavam, primariamente, direcionados à terapia antiviral. No início dos anos 1980, o HIV apareceu como uma força viral importante e, em 1985, o AZT (azidotimidina) provou ser o primeiro inibidor específico da enzima transcriptase reversa viral. Atualmente, a pesquisa de fármacos antivirais foca, primariamente, o desenho e desenvolvimento de novos fármacos e a investigação de novos alvos retrovirais que combaterão o HIV/AIDS, a causa de uma pandemia global e, até o momento, uma infecção incurável.
FIG. 1 Prof. Bill Prusoff. (Reproduzido com permissão de Prof. Prusoff, Yale University.)
Pare e pense
Antivirais – não são tudo o que parecem ser?
Apesar de o tratamento das doenças virais ter visto um grande
desenvolvimento, ainda são encontrados obstáculos relacionados ao uso dos fármacos antivirais. Aqui estão alguns desses obstáculos:
Muitos agentes antivirais não apresentam seletividade suficiente para
os vírus a que eles são dirigidos. As células do hospedeiro também são afetadas pelos efeitos tóxicos desses fármacos (p.ex., diversos antirretrovirais).
Alguns vírus apresentam diversos sorotipos (p.ex., rinovírus) ou
mudam constantemente seus determinantes antigênicos (p.ex., o vírus da influenza e o HIV). Essas variações podem alterar as moléculas-alvo dos fármacos antivirais.
Muitos vírus causam infecções latentes que resultam em redução
generalizada da expressão de genes e expressão de alvos de fármacos.
A maioria dos fármacos antivirais é virostática. Raramente ocorre a
inibição completa da replicação viral. Isso resulta na persistência viral, podendo dar origem a mutantes resistentes aos fármacos!
Muitos vírus não são cultiváveis ou de difícil cultivo (p.ex., o
papilomavírus humano e os vírus das hepatites B e C). Isso complica o desenvolvimento de estudos experimentais para o desenvolvimento de novos fármacos contra esses vírus.
A maioria das infecções virais é aguda e de curta duração, cessando a
multiplicação viral e a possibilidade de intervenção farmacológica quando o diagnóstico é realizado (p.ex., vírus da influenza hepatite A).
Algumas infecções são leves e autolimitadas, não requerendo pesquisa
extensiva para desenvolver fármacos caros para tratá-las. Bons exemplos incluem o resfriado comum (causado por rinovírus ou coronavírus) e doenças comuns na infância, como a roséola, parvovírus B19 e a caxumba.
Tabela 1
Agentes ativos contra os herpes-vírus
Tabela 2
Agentes ativos contra o vírus da influenza
Tabela 3
Agentes ativos contra o vírus da hepatite B
Tabela 4
Agentes ativos contra o picornavírus
Tabela 5
Agentes ativos contra o HIV