Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 71 de 211

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Virologia

Capítulo 25: Herpes-vírus humanos 6, 7 e 8

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Herpes-vírus humanos 6, 7 e 8

 

HHV-6 e HHV-7

Classificação (herpes-vírus)

Estrutura (estrutura dos herpes-vírus)

Replicação (replicação dos herpes-vírus, Capítulo 22)

 

Epidemiologia

A infecção pelos herpes-vírus humanos 6 e 7 (HHV-6/HHV-7) geralmente ocorre nos grupos etários de 6 a 9 meses, assim como nos pacientes transplantados imunocomprometidos ou com HIV/AIDS. A infecção por ambos os vírus confere imunidade protetora por toda a vida. A principal via de transmissão em bebês é horizontal, pela saliva, mas nem a via neonatal (amamentação) nem a congênita podem ser excluídas. A infecção por transfusão de sangue ou transplante de órgão pode ocorrer em pacientes receptores de transplantes imunocomprometidos.

 

Patogênese

O HHV-6 e o HHV-7 causam infecções que duram a vida toda, podendo causar problemas para o hospedeiro tanto na infecção primária quanto na reativação da infecção latente. Os vírus são células T-trópicos e neurotrópicos. A latência parece ocorrer nas células progenitoras da medula óssea, monócitos e macrófagos. A infecção resulta em lise direta e indireta das células T, assim como em redução de sua função normal. Os vírus são mestres na evasão do sistema imunológico, empregando diversas estratégias, incluindo a ativação ou repressão de receptores celulares, redução da expressão do complexo principal de histocompatibilidade (MHC), regulação anormal de citocinas e redução da função e maturação de monócitos, macrófagos e megacariócitos. Semelhante a outros herpes-vírus, a expressão dos genes virais inclui transcritos imediatamente precoces, precoces e tardios.

 

Quadro clínico

A infecção primária por HHV-6 nos lactentes é conhecida como a sexta doença da infância ou roséola infantil (exantema súbito). Um exantema

maculopapular típico (Fig. 1) envolve o rosto e tronco, desenvolvendo-se de 3 a 4 dias após o início da febre. Ele pode ser confundido com o exantema do sarampo ou da rubéola. O exantema da roséola pode ser acompanhado de diarreia e leucopenia transitória. As complicações que podem surgir incluem convulsões febris (em aproximadamente 10% dos lactentes afetados), epilepsia, encefalite recorrente, hepatite, supressão da medula óssea, sintomas gastrintestinais, assim como complicações respiratórias como pneumonia e sinusite.

 

FIG. 1 Roséola infantil (A) no tórax e (B) no dorso de um bebê. (As fotografias são uma cortesia de Emiliano Burzagli.)

A infecção primária em adultos é rara, mas pode se apresentar com

convulsões, encefalite, paralisia flácida e um quadro semelhante à mononucleose infecciosa.

A reativação da infecção latente ocorre em indivíduos

imunocomprometidos, sendo o resultado dos feitos diretos da multiplicação viral assim como os efeitos indiretos da modulação do sistema imunológico. Os receptores de transplantes de órgãos sólidos (p.ex., fígado e rim) podem apresentar febre, exantema, pneumonia, hepatite, encefalite, supressão da medula óssea, rejeição do transplante e reativação da infecção latente por citomegalovírus (CMV). Os receptores de medula óssea ou de células-tronco podem apresentar redução do crescimento do enxerto, reativação de infecção latente por CMV, encefalite, diarreia e exantema, semelhante à doença do enxerto contra o hospedeiro. Nesses pacientes, a reativação ocorre, tipicamente, 2 semanas a 1 mês após o transplante. Pacientes com AIDS e baixa contagem de CD4 estão propensos à reativação do HHV-6 e 7, podendo levar à retinite associada a AIDS, pneumonite, encefalite, linfadenopatia generalizada e progressão mais rápida do HIV/AIDS. Entretanto, pode-se prevenir a reativação dos herpes-vírus pela introdução oportuna da TARVAT (HAART).

Pontos principais

 A infecção por herpes-vírus humanos (HHV) -6 e 7 ocorre na faixa

etária dos 6 aos 9 meses, assim como pacientes transplantados imunocomprometidos ou pacientes com HIV/AIDS.

 Os vírus são responsáveis por infecções latentes, por toda a vida, que

podem ser reativadas em um estado de imunossupressão.

 A infecção primária por HHV-6 nos lactentes é conhecida como roséola

infantil (exantema súbito).

 

Os herpes-vírus humanos 6/7 foram implicados em outras condições

afetando o coração, sistema vascular e sistema nervoso central (SNC). Possíveis associações incluem miocardite, aterosclerose, doença de Alzheimer e esclerose múltipla.