Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 168 de 211

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Virologia

Agentes causadores individuais: epidemiologia, patogênese e quadro clínico

Tabela 1

Condições comuns e os vírus associados

 

Agentes causadores individuais:

epidemiologia, patogênese e quadro clínico

Vírus da influenza

A influenza afeta todas as faixas etárias, sendo uma causa significativa de

doença respiratória em todo o mundo. Existem três tipos – influenza A, B e C. A influenza aviária, uma ameaça em potencial para os seres humanos, é um tipo de influenza A. A influenza C causa um quadro clínico muito mais leve do que os outros vírus, enquanto a influenza A causou várias pandemias, a mais bem conhecida foi a gripe espanhola em 1918. Ocorrem epidemias anuais no inverno, sendo atualmente causada pela influenza B e a influenza A H1N1 e H3N2.

O período de incubação é de 12 a 72 horas, seguido de início súbito de

sintomas sistêmicos. A infecção é caracterizada pela tosse, dor de garganta, febre e mialgia, apesar de ocorrer uma ampla variação de manifestações, desde complicações leves a graves. As complicações incluem infecções bacterianas secundárias, pneumonia viral, miocardite, miosite e síndrome de Reye.

A vacinação (Fig. 1) é uma das maneiras mais importantes de controlar

as epidemias anuais. As vacinas disponíveis são geralmente compostas de subunidades (inativadas), mas vacinas com vírus vivo atenuado estão disponíveis em alguns países. As indicações e contraindicações para as

vacinas de subunidades são mostradas na Tabela 2.

Tabela 2

Indicações e contraindicações da vacina de subunidade contra a influenza

 

FIG. 1 Embalagem de vacina contra a influenza. (A fotografia é uma cortesia do laboratório Sanofi Pasteur.)

Fármacos antivirais estão disponíveis para o tratamento da influenza,

precisando ser iniciados precocemente para serem eficazes. A amantadina e a rimantadina, bloqueadores dos canais de íons, previnem o desnudamento do vírus da influenza A depois de infectar a célula. O oseltamivir e o zanamivir são inibidores da neuraminidase, impedindo a liberação dos novos vírus da superfície celular. É comum a resistência a esses fármacos.

 

Vírus da parainfluenza

Existem quatro vírus da parainfluenza, tipos 1 a 4, dos quais o tipo 3 é a causa mais comum de doença mais grave. O vírus da parainfluenza 3 é encontrado o ano todo, com um pico na primavera, enquanto os tipos 1 e 2 são vistos no outono.

O vírus exibe tropismo para as células epiteliais ciliadas que revestem as

vias aéreas principais. Nos lactentes, a infecção geralmente se manifesta como bronquiolite e, nas crianças mais velhas, como coqueluche. A pneumonia é rara em crianças saudáveis, mas pode estar associada a outras condições, como prematuridade e asma. Nos adultos, a infecção pode se manifestar como bronquite ou rinite.

 

Vírus sincicial respiratório

O vírus respiratório sincicial (RSV) é uma das principais causas de hospitalização em crianças no primeiro ano de vida na maior parte do mundo. Por volta de 3 anos de idade, a maioria das crianças foi infectada.

Pare e pense

 Que condições respiratórias são observadas principalmente na

população imunocomprometida?

 Por que espécimes velhos não produzem resultados ótimos? Por que se aplica a vacina contra a influenza a crianças em terapia

crônica com aspirina?

 

O vírus se replica na mucosa respiratória, envolvendo o trato respiratório

inferior. Após um período de incubação de 2 a 8 dias, as apresentações clínicas incluem infecção leve do trato respiratório superior, otite média, coqueluche, pneumonia e bronquiolite. A bronquiolite se apresenta com dispneia, taquipneia, angústia respiratória, sibilos e hiperventilação pulmonar na radiografia do tórax. Em prematuros e recém-nascidos, a apneia pode ser o único sinal de infecção. Os sintomas geralmente desaparecem em 1 semana, mas se os lactentes estiverem doentes por mais tempo, eles poderão necessitar de hospitalização. Cerca de 75% dos pacientes que desenvolvem bronquiolite pelo RSV podem apresentar sibilos crônicos por muitos anos. As infecções nos adultos são menos graves, apesar de nos idosos e nos pacientes imunocomprometidos a doença ser grave.

O tratamento é geralmente de suporte, com oxigenação e

broncodilatadores e, se for necessário, ventilação mecânica. A ribavirina pode ser usada no tratamento de casos graves. Para a profilaxia, tem sido utilizada a imunoglobulina anti-RSV, mas o palivizumabe, um anticorpo

monoclonal recombinante, provou ser mais eficaz. A Tabela 3 apresenta um resumo das diretrizes da American Academy of Pediatrics para o uso de palivizumabe. Não existem vacinas disponíveis, mas estão sendo investigadas.

 

Tabela 3

Resumo das diretrizes da American Academy of Pediatrics para o uso de palivizumabe

Lactentes < 24 meses com doença pulmonar crônica que necessitaram de tratamento médico nos últimos 6 meses. Lactentes < 12 meses de idade no início da temporada do vírus sincicial respiratório (RSV), nascido antes de 28 semanas de gestação com doença pulmonar crônica.

Lactentes < 6 meses de idade no início da temporada de RSV, que nasceram antes de 32 semanas de gestação. Lactentes < 6 meses de idade no início da temporada de RSV, que nasceram entre 32 e 35 semanas de gestação e que tenham