Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 24 de 211

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Virologia

Infecção crônica, reativação e progressão da doença

 

FIG. 2 Infecção aguda – infecção secundária.

Deve ser ressaltado que, em algumas infecções agudas, como a influenza,

uma variante pode não proporcionar imunidade ótima contra outra variante e as reinfecções podem se apresentar da mesma maneira que as infecções primárias. A extensão na qual a resposta imune a um vírus protege contra um vírus relacionado e a extensão em que a memória imunológica é capaz de prevenir os sintomas de uma reinfecção dependem do vírus em questão.

Em alguns casos, a reinfecção por uma estirpe relacionada leva ao

agravamento dos sintomas ou a uma sintomatologia diferente, como ocorre com a infecção pelo vírus da dengue em que a imunidade a um sorotipo possibilita a multiplicação de outros sorotipos por meio da infecção dos monócitos; o vírus aumenta sua taxa de infecção mediada por anticorpos. São em casos como esses que a febre hemorrágica da dengue e a síndrome

de choque da dengue ocorrem.1

 

Infecção crônica, reativação e progressão da

doença Em alguns casos não é possível eliminar o vírus do corpo. Os vírus possuem diversos mecanismos para escapar do sistema imunológico e alguns deles permitem que eles fiquem no hospedeiro indefinidamente. Algumas infecções crônicas eventualmente podem ser curadas, entretanto algumas raramente são curadas e outras não podem ser curadas.

Esses mecanismos de escape incluem:

 integração do genoma viral ao genoma do hospedeiro (p.ex., HIV) supressão das moléculas do MHC-I e MHC-II, evitando que o sistema

imunológico lise as células infectadas (p.ex., herpes-vírus)

 estimulação ou inibição de citocinas ou da resposta de citocinas (p.ex.,

HIV), alterando, assim, as respostas imunes

 inibição da replicação viral para induzir a latência (herpes-vírus) infecção de áreas imunologicamente privilegiadas, onde o sistema imune

não pode eliminar o vírus (p.ex., papilomavírus humano)

 infecção de linfócitos

 mutação com mudança dos antígenos virais de forma que respostas

imunológicas prévias não sejam eficazes contra o vírus mutante (p.ex., HIV)

 bloqueio das vias de apoptose (p.ex., papilomavírus humano).

Nos casos em que a infecção viral se torna crônica (Fig. 3), os níveis

virais podem variar, assim como a intensidade dos sintomas. Por exemplo, o vírus da hepatite B pode cursar com agravamentos ocasionais da infecção com dano hepático progressivo, enquanto o HIV apresenta uma progressão lenta. Alguns indivíduos são incapazes de eliminar vírus que a maioria dos indivíduos elimina, por exemplo, em casos raros de eliminação crônica do poliovírus ou o vírus da rubéola em lactentes com infecção congênita.