Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 143 de 211

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Virologia

Capítulo 44: Togavírus

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Togavírus

 

Tabela 1

Classificação

Tabela 2

Estrutura e replicação

 

Rubivirus – Rubéola

Epidemiologia

A rubéola tem uma distribuição mundial e os seres humanos são os

únicos hospedeiros. As crianças em idade escolar e adultos jovens são os mais afetados e a infecção é de importância em mulheres grávidas. Ocorrem epidemias ocasionais, mas não é a regra, apesar de a incidência local aumentar a cada 3 a 4 anos. Devido à vacinação, a rubéola é rara nos países desenvolvidos.

 

Patogênese

Infecção pós-natal

A rubéola se dissemina por meio de gotículas do trato respiratório. A

multiplicação primária ocorre nas células epiteliais do trato respiratório; a seguir, o vírus se dissemina para os linfonodos pelo sangue. A multiplicação secundária ocorre e o vírus se dissemina para a pele, trato respiratório e outros órgãos pelo sangue. A disseminação para as articulações pode causar artrite que, imagina-se, ser também parcialmente resultante da formação de complexos imunes e pode ser influenciada por fatores hormonais, pois as mulheres após a puberdade são as mais afetadas. A encefalite pós-infecciosa causada pela rubéola (1 em 5.000 a 10.000 casos) pode ocorrer 1 semana após o início do exantema e acredita-se que seja mediada pelo sistema imune, semelhante à síndrome de Guillain-Barré e trombocitopenia, que são raras na rubéola.

Pare e pense

 Quais são as outras infecções virais que são problemáticas durante a

gravidez?

 Como você diferenciaria os diferentes exantemas infantis?

 

Infecção intrauterina

O vírus não causa morte celular ou efeito citopático, mas inibe o crescimento e a divisão celular por meio de um fator antimitótico viral. Se a infecção ocorrer no período da formação dos órgãos, o feto pode desenvolver malformações graves dos órgãos. O vírus é eliminado por um período prolongado após o nascimento, especialmente nas infecções depois do primeiro trimestre.

 

Quadro clínico

Infecção pós-natal

O período de incubação é de 14 a 20 dias e 25% a 50% das infecções são

subclínicas ou leves o suficiente para evitar o diagnóstico. Os sintomas

(Fig. 4) começam com mal-estar e febre, seguidos de linfadenopatia, especialmente retroauricular. No terceiro dia da doença, aparece um

exantema maculopapular (Fig. 3) simultaneamente no rosto, tronco e membros. Cerca de 3 dias depois, o exantema desaparece e o paciente desenvolve linfadenopatia generalizada, geralmente se recuperando nos próximos 1 a 2 dias. O paciente é infeccioso no período de 7 dias antes do desenvolvimento do exantema até 7 dias depois.

FIG. 3 O exantema da rubéola. (A fotografia é uma cortesia do CDC.)

 

 

FIG. 4 O tempo e a duração dos sintomas e sinais da rubéola no contexto da viremia e da produção de anticorpos.

A complicação mais comum é a artrite, especialmente em mulheres

depois da puberdade, geralmente nas mãos e, algumas vezes, em outras articulações. Raramente dura mais de 1 mês, geralmente durando apenas alguns dias.

Infecção congênita

Os aspectos mais importantes da infecção congênita são os defeitos do sistema nervoso central (microcefalia, retardo psicomotor e desordens de comportamento), sistema cardiovascular (defeitos no septo, transposição

dos grandes vasos), surdez, cegueira e catarata congênita (Fig. 5). Para maiores detalhes, veja o capítulo sobre infecções congênitas.

FIG. 5 Catarata na rubéola congênita. (A fotografia é uma cortesia do CDC.)

 

 

Diagnóstico virológico

Sorologia:

Testando a imunidade – IgG

Infecção aguda/pregressa – IgM

Se a IgM e IgG forem positivas, um teste de avidez pode determinar se a

infecção é primária ou uma reinfecção – importante para diagnosticar a rubéola na gravidez se não houver uma amostra prévia disponível para comparação. A IgM geralmente é detectada alguns dias depois do início do exantema enquanto a IgG aparece 1 semana depois.

Isolamento: o vírus da rubéola pode ser isolado em células usando-se

amostras do trato respiratório e urina, assim como o líquido amniótico. Nas infecções congênitas, deve-se fazer o isolamento o quanto antes após o nascimento para evitar detectar uma infecção neonatal precoce.

O vírus da rubéola não causa efeitos citopáticos, mas inibe a

multiplicação de outros vírus, como o Echovírus 11, que pode ser usado para indicar a presença ou ausência de infecção das células pelo vírus da rubéola.

Molecular: a reação em cadeia da polimerase (PCR) é ideal para ser

usada no líquido amniótico e sangue, se for colhido no tempo correto (entre 7 e 14 dias após a infecção).

 

Tratamento específico Não existe tratamento específico para a rubéola. Após a infecção por uma estirpe de vírus da rubéola que não aquela presente em vacinas, pode-se considerar a interrupção da gestação, ou a administração endovenosa de anticorpos antirrubéola para aquelas gestantes que optarem por não interromper a gestação.