Virologia

Stephen N.J. Korsman · Capítulo 209 de 211

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Poliomielite (Fig. 2)

FIG. 1 Menino com lesões de varíola. (A fotografia é uma cortesia do CDC/Jean Roy.)

 

Poliomielite (Fig. 2)

Em 1988, iniciou-se um programa para a erradicação da poliomielite. Desde então, essa doença foi eliminada em três regiões (as Américas, o Pacífico ocidental e Europa). Em 1988, a poliomielite ainda era endêmica em mais de 125 países. Em março de 2006, os únicos países em que ela era endêmica eram: a Nigéria, Índia, Afeganistão e Paquistão. No passado, três desses países também foram os últimos a eliminar a varíola. As razões para as dificuldades com o programa de erradicação nesses países incluem: a falta relativa de acessibilidade a áreas grandes e remotas, grandes densidades populacionais e pobreza.

FIG. 2 Criança com uma deformidade na perna direita devido à pólio. (A fotografia é uma cortesia do CDC.)

O programa de erradicação da poliomielite inclui quatro estratégias. O

objetivo da imunização rotineira é a aplicação de quatro doses da vacina para todas as crianças com menos de 1 ano de idade. Campanhas de vacinação em massa (dias nacionais de imunização) são dirigidas a todas as crianças menores de 5 anos, independentemente de seu estado prévio de vacinação. Essas campanhas asseguram que todas as crianças sem ou com imunidade parcial sejam vacinadas e que a imunidade das crianças vacinadas seja reforçada. O objetivo da vigilância para casos de paralisia flácida aguda (PFA) é detectar e reportar toda criança com menos de 15 anos com PFA e investigá-las virologicamente para a presença do poliovírus em amostras de fezes. Campanhas de erradicação visam às áreas em que o vírus selvagem continua a circular. A imunização de “porta em porta” é feita nos lugares onde a cobertura da imunização rotineira é geralmente baixa, onde existem guerras e o acesso a serviços de saúde é restrito.

Pare e pense

Desafios pós-erradicação

 Temos que garantir que os estoque de vírus e as estirpes do vírus

erradicado estocadas em laboratórios sejam claramente identificadas e guardadas com segurança em apenas alguns laboratórios de referência no mundo.

 Os vírus que foram erradicados realmente sumiram? Na era de técnicas

moleculares melhoradas, pequenos genomas virais podem ser sintetizados e convertidos à forma infecciosa.

 Quais são os problemas potenciais com o uso de vacinas na fase de

pós-erradicação? A vacina oral contra a poliomielite, a Sabin, pode se reverter para um poliovírus virulento, originando poliomielite paralítica associada à vacina (PPAV). As estirpes vivas atenuadas da vacina também podem ser excretadas por um período de tempo prolongado nos indivíduos imunocomprometidos.

 Implicações para o bioterrorismo.

 

Os obstáculos à erradicação da poliomielite incluem intranquilidade

política, falta de compromisso ou motivação das autoridades e a falta de recursos, infraestrutura apropriada, organização e treinamento de pessoal envolvido no programa. A atenção também pode estar focada em doenças infecciosas mais prevalentes, especialmente na África, como HIV, tuberculose e malária. A erradicação da poliomielite pode não ser a maior prioridade no momento. A maioria dos casos de poliomielite é assintomática, não sendo detectados por meio de vigilância e métodos diagnósticos. Rumores sobre a segurança da vacina oral da poliomielite (OPV), a Sabin, resultaram em um período de pouca imunização na Nigéria. O clima quente e tropical da África, associado à superpopulação e a falta de higiene básica, também resultaram em redução na efetividade da vacina oral. Houve fadiga da campanha da Índia e Nigéria durante a segunda rodada da campanha de vacinação em massa.