Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 107 de 291

Páginas do PDF

Poesia de Álvaro de Campos

E o Som Só Dentro do Relógio Acentuado

E O SOM SÓ DENTRO DO RELÓGIO

ACENTUADO

E o som só dentro do relógio acentuado

No serão sem ninguém das casas de jantar da província Põe-me o tempo inteiro em cima da alma,

E enquanto não chega a hora do chá das tias velhas, O meu coração ouve o tempo passar e sofre comigo. Tic-tac mais sonolento que o dos outros relógios — Na parede, de madeira, este tem pêndulo e oscila. O meu coração tem saudades não sabe de quê.

Tenho que morrer…

Tic-tac mecânico e certo — serão sereno mecânico na província…