Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 139 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Magnificat

Quando é que passará esta noite interna, o universo, E eu, a minha alma, terei o meu dia? 

Quando é que despertarei de estar acordado? 

Não sei. O sol brilha alto, 

Impossível de tar. 

As estrelas pestanejam frio,

Impossíveis de contar.

O coração pulsa alheio,

Impossível de escutar.

Quando é que passará este drama sem teatro, 

Ou este teatro sem drama, 

E recolherei a casa? 

Onde? Como? Quando?

Gato que me tas com olhos de vida,

Quem tens lá no fundo? 

É esse! É esse!

Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei; E então será dia. 

Sorri, dormindo, minha alma! 

Sorri, minha alma, será dia!