Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 73 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Capítulo c

Vejo isto, e co, extremamente aqui

Sozinho com o tempo e com o espaço.

De trás de máscaras nosso ser espreita,

De trás de bocas um mistério acode

Que meus versos anódinos enjeita.

□

Sou maior ou menor? Com mãos e pés

E boca falo e mexo-me no mundo.

Hoje, que todos são máscaras, és

Um ser máscara-gestos, em tão fundo...

c □ não tenho compartimentos estanques Para os meus sentimentos e emoções...

Vidas, realmente se misturam

O que era cérebro acaba sentimento

Minha unidade morre ao relento

□

Quando quero pensar, sinto, não sei

Se me sinto quem sou e queria.

Psique de fora da psicologia,

Vivo fora da □ e da lei

Amorfo anexo ao mundo exterior

Reproduzindo tudo o que nele há

Sem que em meu ser qualquer ser meu me vá

Compensar pessoalmente a minha dor.

Não: sempre as dores doutra gente que é eu

(Sempre alegrias de várias pessoas)

[…]

Sempre de um centro diferente e meu

Carnaval de □

Bebendo p’ra se sentir alegres e outros Outros bebendo como eles □ se sentem Tendo de ser alegres □