Poesia de Álvaro de Campos
Capítulo c
Vejo isto, e co, extremamente aqui
Sozinho com o tempo e com o espaço.
De trás de máscaras nosso ser espreita,
De trás de bocas um mistério acode
Que meus versos anódinos enjeita.
□
Sou maior ou menor? Com mãos e pés
E boca falo e mexo-me no mundo.
Hoje, que todos são máscaras, és
Um ser máscara-gestos, em tão fundo...
c □ não tenho compartimentos estanques Para os meus sentimentos e emoções...
Vidas, realmente se misturam
O que era cérebro acaba sentimento
Minha unidade morre ao relento
□
Quando quero pensar, sinto, não sei
Se me sinto quem sou e queria.
Psique de fora da psicologia,
Vivo fora da □ e da lei
Amorfo anexo ao mundo exterior
Reproduzindo tudo o que nele há
Sem que em meu ser qualquer ser meu me vá
Compensar pessoalmente a minha dor.
Não: sempre as dores doutra gente que é eu
(Sempre alegrias de várias pessoas)
[…]
Sempre de um centro diferente e meu
Carnaval de □
Bebendo p’ra se sentir alegres e outros Outros bebendo como eles □ se sentem Tendo de ser alegres □