Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 26 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

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Rapidamente calhas carroças caixotes rua atravessar rua Passeio lojistas «perdão» rua

Rua a passear por mim a passear pela rua por mim Tudo espelhos as lojas de cá dentro das lojas de lá A velocidade dos carros ao contrário nos espelhos oblíquos das montras, O chão no ar o sol por baixo dos pés rua regas ores no cesto rua O meu passado rua estremece camion rua não me recordo rua Eu de cabeça pra baixo no centro da minha consciência de mim Rua sem poder encontrar uma sensação só de cada vez rua Rua pra trás e pra diante debaixo dos meus pés

Rua em X em Y em Z por dentro dos meus braços Rua pelo meu monóculo em círculos de cinematógrafo pequeno, Caleidoscópio em curvas iriadas nítidas rua.

Bebedeira da rua e de sentir ver ouvir tudo ao mesmo tempo. Bater das fontes de estar vindo para cá ao mesmo tempo que vou para lá, □

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Estatelo-me ao comprido em toda a vida

E urro em mim a minha ferocidade de viver… Não há gestos de prazer pelo mundo que valham

A alegria estupenda de quem não tem outro modo de a exprimir Que rolar-se pelo chão entre ervas e malmequeres E misturar-se com terra até sujar o fato e o cabelo… Não há versos que possam dar isto… Arranquem um □ de erva, trinquem-na e perceber-me-ão, Perceberão completamente o que eu incompletamente exprimo. Tenho a fúria de ser raiz

A perseguir-me as sensações por dentro como uma seiva Queria ter todos os sentidos, incluindo a inteligência, A imaginação e a inibição

À or da pele para me poder rolar pela terra rugosa Mais de dentro, sentindo mais rugosidade e irregularidades.