Poesia de Álvaro de Campos
Oxfordshire
Quero o bem, e quero o mal, e a nal não quero nada. Estou mal deitado sobre a direita, e mal deitado sobre a esquerda E mal deitado sobre a consciência de existir.
Estou universalmente mal, meta sicamente mal,
Mas o pior é que me dói a cabeça.
Isso é mais grave que a signi cação do universo.
Uma vez, ao pé de Oxford, num passeio campestre, Vi erguer-se, de uma curva da estrada, na distância próxima. A torre-velha de uma igreja acima de casas da aldeia ou vila. Ficou-me fotográ co esse incidente nulo
Como uma dobra transversal escangalhando o vinco das calças. Agora vem a propósito…
Da estrada eu previa espiritualidade a essa torre de igreja Que era a fé de todas as eras, e a e caz caridade.
Da vila, quando lá cheguei, a torre da igreja era a torre da igreja, E, ainda por cima, estava ali.
É-se feliz na Austrália, desde que lá se não vá.