Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 218 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Oxfordshire

Quero o bem, e quero o mal, e a nal não quero nada. Estou mal deitado sobre a direita, e mal deitado sobre a esquerda E mal deitado sobre a consciência de existir.

Estou universalmente mal, meta sicamente mal,

Mas o pior é que me dói a cabeça.

Isso é mais grave que a signi cação do universo.

Uma vez, ao pé de Oxford, num passeio campestre, Vi erguer-se, de uma curva da estrada, na distância próxima. A torre-velha de uma igreja acima de casas da aldeia ou vila. Ficou-me fotográ co esse incidente nulo

Como uma dobra transversal escangalhando o vinco das calças. Agora vem a propósito…

Da estrada eu previa espiritualidade a essa torre de igreja Que era a fé de todas as eras, e a e caz caridade.

Da vila, quando lá cheguei, a torre da igreja era a torre da igreja, E, ainda por cima, estava ali.

É-se feliz na Austrália, desde que lá se não vá.