Poesia de Álvaro de Campos
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Que imperador tem o direito
De partir a boneca à lha do operário:
Que César com suas legiões tem justiça
Para partir a máquina de costura da velha?
Se eu for pela rua
E arrancar a ta suja na mão da garota
E a zer chorar, onde encontrar qualquer Cristo? Se eu tirar com uma pancada
O bolo barato da boca da criança pobre
Onde encontrarei justiça no mundo.
Onde me esconderei dos olhos do Vulto
Invisível que espreita pelas estrelas
Quando o coração vê pelos olhos o mistério olhar o universo? Minha emoção concreta, ó brinquedo de crianças Ó pequenas alegrias legítimas da gente obscura,
Ó pobre riqueza exígua dos que não são ninguém... Os móveis comprados com tanto sacrifício.
As toalhas remendadas com tanto cuidado,
As pequenas coisas de casa tão ajustadas e postas no lugar E a roda de um dos mil carros do rei vencedor
Parte tudo, e todos perderam tudo.
i
Por aqueles, minha mãe, que morreram, que caíram na batalha... Dlôn - ôn - ôn - ôn...
Por aqueles, minha mãe, que caram mutilados no combate Dlôn - ôn - ôn - ôn...
Por aqueles cuja noiva esperará sempre em vão.,.
Dlôn - ôn - ôn - ôn...
Sete vezes sete vezes murcharão as ores no jardim Dlôn - ôn - ôn - ôn...
E os seus cadáveres serão do pó universal e anónimo Dlôn - ôn - ôn - ôn...
E eles, quem sabe, minha mãe, sempre vivos, com esperança... Loucos. minha mãe, loucos, porque os corpos morrem e a dor não morre... Dlôn - ôn - ôn - ôn...
Que e feito daquele que foi a criança que tiveste ao peito? Dlôn...
Quem sabe qual dos desconhecidos mortos aí é o teu lho Dlôn...
Ainda tens na gaveta da cómoda os seus bibes de criança... Ainda há nos caixotes da dispensa os seus brinquedos velhos... Ele hoje pertence a uma podridão órfã somewhere in France Ele que foi tanto para ti, tudo, tudo, tudo...
Olha, ele não é nada no geral holocausto da história Dlôn - Dlôn...
Dlôn – Dlôn- Dlôn - Dlôn
Dlôn – Dlôn- Dlôn - Dlôn
Dlôn – Dlôn- Dlôn – Dlôn- Dlôn Quem sabe qual dos desconhecidos mortos aí é o teu lho Dlôn...
Ainda tens na gaveta da cómoda os seus bibes de criança... Ainda há nos caixotes da dispensa os seus brinquedos velhos... Ele hoje pertence a uma podridão órfã somewhere in France Ele que foi tanto para ti, tudo, tudo, tudo...
Olha, ele não é nada no geral holocausto da história Dlôn - dlôn...
Dlôn – dlôn- dlôn – dlôn…
Dlôn – dlôn- dlôn – dlôn…
Dlôn – dlôn- dlôn – dlôn - dlôn- dlôn…