Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 43 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Ah o Som de Abanar o Ferro da Engomadeira

AH O SOM DE ABANAR O FERRO DA

ENGOMADEIRA

Ah o som de abanar o ferro da engomadeira

À janela ao lado da minha infância debruçada!

O som de estarem lavando a roupa no tanque!

Todas estas coisas são, de qualquer modo,

Parte do que sou.

(Ó ama morta, que é do teu carinho grisalho?)

Minha infância da altura da cara pouco acima da mesa... Minha mão gordinha pousada na borda da toalha que se enrodilhava. E eu olhava por cima do prato, nas pontas dos pés. (Hoje se me puser nas pontas dos pés, é só intelectualmente. E a mesa que tenho não tem toalha, nem quem lhe ponha toalha...) Estudei o fermento da falência

Na demonologia da imaginação...