Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 14 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Capítulo d

Nova espécie de eternidade dinâmica ondeando através da eternidade estática – S-S-S-SS-SSS

z-z-z-z-z-z automóvel divino

d

E quando o leito estiver quase ao pé do teto

E eu olhando para trás, por esta vigia — o quarto todo com os seus armários, E sentindo na alma o movimento da hélice do navio, Verei já tudo ao longe diferente e frio...

As minhas sensações numa cidade amontoada distante E ao fundo por detrás delas. o universo inteiro, ponte que nda e

A morte — esse pior que tem por força que acontecer; Esse cair para o fundo do poço sem fundo;

Esse escurecer universal para dentro;

Esse apocalipse da consciência, com a queda de todas as estrelas — Isso que será meu um dia.

Um dia pertíssimo, pertíssimo,

Pinta de negro todas as minhas sensações,

E é a areia sem corpo escorrendo-me por entre os dedos O pensamento e a vida.

A gare no deserto, deserta;

O intérprete mudo:

O boneco humano sem olhos nem boca:

Embandeirado a fogo-fátuo

Num mar que é só puro espaço

Sob um céu sacudido por relâmpagos pretos...

Sinistra singre, roída de vermes audíveis a quilha sentiente E sejam os mastros dedos de âmbar, longuíssimos. Apontando o vácuo das coisas (que é o abismo em tudo)... As velas de um reposteiro vermelho lindo e baço

Se abram ao vento soprando de um buraco sem m E comecem, fora do tempo, uma viagem ao m de tudo. Estica um horror consciente no gemer dos cabos