Poesia de Álvaro de Campos
Capítulo d
Nova espécie de eternidade dinâmica ondeando através da eternidade estática – S-S-S-SS-SSS
z-z-z-z-z-z automóvel divino
d
E quando o leito estiver quase ao pé do teto
E eu olhando para trás, por esta vigia — o quarto todo com os seus armários, E sentindo na alma o movimento da hélice do navio, Verei já tudo ao longe diferente e frio...
As minhas sensações numa cidade amontoada distante E ao fundo por detrás delas. o universo inteiro, ponte que nda e
A morte — esse pior que tem por força que acontecer; Esse cair para o fundo do poço sem fundo;
Esse escurecer universal para dentro;
Esse apocalipse da consciência, com a queda de todas as estrelas — Isso que será meu um dia.
Um dia pertíssimo, pertíssimo,
Pinta de negro todas as minhas sensações,
E é a areia sem corpo escorrendo-me por entre os dedos O pensamento e a vida.
A gare no deserto, deserta;
O intérprete mudo:
O boneco humano sem olhos nem boca:
Embandeirado a fogo-fátuo
Num mar que é só puro espaço
Sob um céu sacudido por relâmpagos pretos...
Sinistra singre, roída de vermes audíveis a quilha sentiente E sejam os mastros dedos de âmbar, longuíssimos. Apontando o vácuo das coisas (que é o abismo em tudo)... As velas de um reposteiro vermelho lindo e baço
Se abram ao vento soprando de um buraco sem m E comecem, fora do tempo, uma viagem ao m de tudo. Estica um horror consciente no gemer dos cabos