Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 116 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Estou Tonto

Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,

Ou de ambas as coisas.

O que sei é que estou tonto

E não sei bem se me devo levantar da cadeira

Ou como me levantaria dela.

Fiquemos nisto: estou tonto.

A nal

Que vida z eu da vida?

Nada.

Tudo interstícios,

Tudo aproximações,

Tudo função do irregular e do absurdo,

Tudo nada…

É por isso que estou tonto…

Agora

Todas as manhãs me levanto

Tonto…

Sim, verdadeiramente tonto…

Sem saber em mim o meu nome,

Sem saber onde estou,

Sem saber o que fui,

Sem saber nada.

Mas se isto é assim é assim.

Deixo-me estar na cadeira.

Estou tonto.

Bem, estou tonto.

Fico sentado

E tonto,

Sim, tonto,

Tonto…

Tonto…