Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 185 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

O Descalabro a Ócio e Estrelas...

Nada mais...

Farto...

Arre...

Todo o mistério do mundo entrou para a minha vida económica. Basta!...

O que eu queria ser, e nunca serei, estraga-me as ruas. Mas então isto não acaba?

É destino?

Sim, é o meu destino

Distribuído pelos meus conseguimentos no lixo

E os meus propósitos à beira da estrada — Os meus conseguimentos rasgados por crianças,

Os meus propósitos mijados por mendigos,

E toda a minha alma uma toalha suja que escorregou para o chão. ........................................................................................................ O horror do som do relógio à noite na sala de jantar de uma casa de província — Toda a monotonia e a fatalidade do tempo...

O horror súbito do enterro que passa

E tira a máscara a todas as esperanças.

Ali...

Ali vai a conclusão.

Ali, fechado e selado,

Ali, debaixo do chumbo lacrado e com cal na cara Vai, que pena como nós,

Vai o que sentiu como nós,

Vai o nós!

Ali, sob um pano cru acro e horroroso como uma abóbada de cárcere Ali, ali, ali… E eu?