Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 220 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

P-Há

Hoje, que sinto nada a vontade, e não sei que dizer, Hoje, que tenho a inteligência sem saber o que querer, Quero escrever o meu epitá o: Álvaro de Campos jaz Aqui, o resto a Antologia grega traz...

E a que propósito vem este bocado de rimas?

Nada... Um amigo meu, chamado (suponho) Simas, Perguntou-me na rua o que é que estava a fazer,

E escrevo estes versos assim em vez de lho não saber dizer. É raro eu rimar, e é raro alguém rimar com juízo.

Mas às vezes rimar é preciso.

Meu coração faz pá como um saco de papel socado Com força, cheio de sopro, contra a parede do lado. E o transeunte, num sobressalto, volta-se de repente E eu acabo este poema indeterminadamente.