Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 52 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Ai Margarida

Se eu te desse a minha vida,

Que farias tu com ela?

— Tirava os brincos do prego,

Casava c’um homem cego

E ia morar para a Estrela.

Mas Margarida,

Se eu te desse a minha vida,

Que diria tua mãe?

— (Ela conhece-me a fundo.)

Que há muito parvo no mundo,

E que eras parvo também.

E, Margarida,

Se eu te desse a minha vida

No sentido de morrer?

— Eu iria ao teu enterro,

Mas achava que era um erro

Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,

Se este dar-te a minha vida

Não fosse senão poesia?

— Então, lho, nada feito.

Fica tudo sem efeito.

Nesta casa não se a.

Comunicado pelo Engenheiro Naval

Sr. Álvaro de Campos em estado

de inconsciência

alcoólica.