Poesia de Álvaro de Campos
Capítulo d
Deem-me um sentir que cansa e é bom e cessa
Prendam-me para que eu não faça mais versos
Façam [?ad nem?] com que o sentir cesse
Proíbam-me pensar com a cabeça.
Dói-me a vida em todos os meus poros
Estala-me na cabeça o coração,
□
Para que escrevo? É uma pura perda.
□
Depois […]
Se escrevo o que sinto [….]. Bom. Merda. Pronto. Acabou-se. Quebro a pena e a tinta
Entorno-a aqui só para a entornar...
Não haver vida que se possa DAR!
Não haver alma com que não se sinta!
Não haver como essa alma consertar-me
Com cordéis ou arames que se aguentem
Com ferros e madeiras que não mentem
E me deem unidade no aguentar-me!
□
Não haver, não [....]
Não haver. Não Haver!
d
Aquela falsa e triste semelhança
Entre quem julgo ser e quem eu sou.
Sou a máscara que volve a ser criança,
Mas reconheço, adulto, aonde estou,
Isto não é o Carnaval, nem eu.
Tenho vontade de dormir, e ando.
O que passa, ondeando, em torno meu, Passa □
Dormir, despir-me deste mundo ultraje,
Como quem despe um dominó roubado.
Despir a alma postiça como a um traje.
□
Tenho náusea carnal do meu destino.
Quase me cansa me cansar. E vou,
Anónimo, □ menino,
Por meu ser fora à busca de quem sou.
□ espaço deixado em branco pelo autor