Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 74 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Capítulo d

Deem-me um sentir que cansa e é bom e cessa

Prendam-me para que eu não faça mais versos

Façam [?ad nem?] com que o sentir cesse

Proíbam-me pensar com a cabeça.

Dói-me a vida em todos os meus poros

Estala-me na cabeça o coração,

□

Para que escrevo? É uma pura perda.

□

Depois […]

Se escrevo o que sinto [….]. Bom. Merda. Pronto. Acabou-se. Quebro a pena e a tinta

Entorno-a aqui só para a entornar...

Não haver vida que se possa DAR!

Não haver alma com que não se sinta!

Não haver como essa alma consertar-me

Com cordéis ou arames que se aguentem

Com ferros e madeiras que não mentem

E me deem unidade no aguentar-me!

□

Não haver, não [....]

Não haver. Não Haver!

d

Aquela falsa e triste semelhança

Entre quem julgo ser e quem eu sou.

Sou a máscara que volve a ser criança,

Mas reconheço, adulto, aonde estou,

Isto não é o Carnaval, nem eu.

Tenho vontade de dormir, e ando.

O que passa, ondeando, em torno meu, Passa □

Dormir, despir-me deste mundo ultraje,

Como quem despe um dominó roubado.

Despir a alma postiça como a um traje.

□

Tenho náusea carnal do meu destino.

Quase me cansa me cansar. E vou,

Anónimo, □ menino,

Por meu ser fora à busca de quem sou.

□ espaço deixado em branco pelo autor