Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 221 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Passagem das Horas ou Walt Whitman

PASSAGEM DAS HORAS OU WALT

WHITMAN

Eu, o ritmista febril

Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira, Para quem, por baixo da metáfora aparente,

Como em estrofe, anti-estrofe, epodo o poema que escrevo, Que por detrás do delírio construo

Que por detrás de sentir penso

Que amo, expludo, rujo, com ordem e oculta medida, Eu ante ti quereria ter menos de engenheiro na alma, Menos de grego das máquinas, de Bacante de Apolo Nos meus momentos de alma multiplicados em verso. Mas o ar do mar alto

Chega, por um in uxo de dentro do meu sangue

Ao meu cérebro desterrado em terra,

E a fúria com que medito, a raiva com que me domino Abre-se como uma vela, tomada de vento, aos ares Ampla servidão ao rasgo de assombro dos (...)