Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 144 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Mas Mesmo Assim de Repente Mas Devagar Devagar

MAS MESMO ASSIM DE REPENTE MAS

DEVAGAR DEVAGAR

Mas mesmo assim, de repente, mas devagar, devagar, Atravessando todas estas coisas modernas e presentes, Vindo naturalmente através de todas estas coisas e estes ruídos, Como se tudo isto fosse um vidro fosco transparente a essa iuz, Através do ruído dos guindastes, pelos interstícios do marulhar dos barcos, Coando pelas frinchas dos assobios dos comboios, Misteriosamente repassando, ensopando a faina das gentes, Torna, através do moderno e do atual, a eterna voz marítima, A eterna voz representativa das grandes coisas oceânicas,