Poesia de Álvaro de Campos
Mas Mesmo Assim de Repente Mas Devagar Devagar
MAS MESMO ASSIM DE REPENTE MAS
DEVAGAR DEVAGAR
Mas mesmo assim, de repente, mas devagar, devagar, Atravessando todas estas coisas modernas e presentes, Vindo naturalmente através de todas estas coisas e estes ruídos, Como se tudo isto fosse um vidro fosco transparente a essa iuz, Através do ruído dos guindastes, pelos interstícios do marulhar dos barcos, Coando pelas frinchas dos assobios dos comboios, Misteriosamente repassando, ensopando a faina das gentes, Torna, através do moderno e do atual, a eterna voz marítima, A eterna voz representativa das grandes coisas oceânicas,