Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 167 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Não Tenho Sinceridade Nenhuma que Te Dar.

Ao quintal

Ao lado…

NÃO TENHO SINCERIDADE

NENHUMA QUE TE DAR.

Não tenho sinceridade nenhuma que te dar.

Se te falo, adapto instintivamente frases

A um sentido que me esqueço de ter.

NÃO TER DEVERES NEM HORAS

CERTAS NEM REALIDADES...

Não ter deveres, nem horas certas, nem realidades... Ser uma ave humana

Que passe haleiónica sobre a intransigência do mundo — Ganhando o pão da sua noite com o suor da fronte dos outros — Faz-tudo triste

No coliseu com lágrimas,

E compère antigo, um pouco mais cheio que Vénus de Milo, Na insubsistência dos acasos.

E um pouco de sol, ao menos, para os sonhos onde não vivo.