Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 150 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Meu Coração o Almirante Errado

MEU CORAÇÃO O ALMIRANTE

ERRADO

Meu coração, o almirante errado

Que comandou a armada por haver

Tentou caminho onde o negou o Fado,

Quis ser feliz quando o não pôde ser.

E assim, fechado, absurdo, postergado,

Dado ao que nos resulta de se abster,

Não foi dado, não foi dado, não foi dado

E o verso errado deixa-o entender.

Mas há compensações absolutórias

Na sombra — no silêncio da derrota Que tem mais rosas de alma que as vitórias.

E assim surgiu, Imperial, a frota

Carregada de anseios e de glórias

Com que o almirante prosseguiu na rota.