Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 194 de 291

Páginas do PDF

Poesia de Álvaro de Campos

O Mesmo Teucro Duce Et Auspice Teucro

O MESMO TEUCRO DUCE ET AUSPICE

TEUCRO

O mesmo Teucro duce et auspice Teucro 

É sempre cras — amanhã — que nos faremos ao mar. Sossega, coração inútil, sossega! 

Sossega, porque nada há que esperar, 

E por isso nada que desesperar também... 

Sossega... Por cima do muro da quinta 

Sobe longínquo o olival alheio. 

Assim na infância vi outro que não era este: 

Não sei se foram os mesmos olhos da mesma alma que o viram. Adiamos tudo, até que a morte chegue. 

Adiamos tudo e o entendimento de tudo, 

Com um cansaço antecipado de tudo, 

Com uma saudade prognóstica e vazia.