Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 128 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Há Tantos Deuses!

São como os livros — não se pode ler tudo, nunca se sabe nada. Feliz quem conhece só um deus, e o guarda em segredo. Tenho todos os dias crenças diferentes — Às vezes no mesmo dia tenho crenças diferentes — E gostava de ser a criança que me atravessa agora

A visão da janela abaixo —

Comendo um bolo barato (ela é pobre) sem causa aparente nem nal, Animal inutilmente erguido acima dos outros vertebrados E cantando, entre os dentes, uma cantiga obscena de revista… Sim, há muitos deuses…

Mas dava eu tudo ao deus que me levasse aquela criança de aqui pra fora.