Poesia de Álvaro de Campos
Os Galos Cantam e Estou Bebedíssimo
OS GALOS CANTAM E ESTOU
BEBEDÍSSIMO
Os galos cantam e estou bebedíssimo.
Não z nada da vida senão tê-la.
Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo.
Minha intenção não foi a minha estrela.
Os galos cantam e eu cada vez mais
Absorto no disperso que o álcool dá.
Curara-me talvez a vida, ou sais,
Ou poder crer, ou desejar o que há.
Cantam tantos galos que me irrita
Que a noite que ainda dura possa ser.
Mas virá o dia, e, ao m da parte escrita,
A morte marra e eu deixo-me colher.