Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 216 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Os Galos Cantam e Estou Bebedíssimo

OS GALOS CANTAM E ESTOU

BEBEDÍSSIMO

Os galos cantam e estou bebedíssimo.

Não z nada da vida senão tê-la.

Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo.

Minha intenção não foi a minha estrela.

Os galos cantam e eu cada vez mais

Absorto no disperso que o álcool dá.

Curara-me talvez a vida, ou sais,

Ou poder crer, ou desejar o que há.

Cantam tantos galos que me irrita

Que a noite que ainda dura possa ser.

Mas virá o dia, e, ao m da parte escrita,

A morte marra e eu deixo-me colher.