Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 114 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Estou Cheio de Tédio de Nada. Em Cima da Cama

ESTOU CHEIO DE TÉDIO DE NADA. EM

CIMA DA CAMA

Estou cheio de tédio, de nada. Em cima da cama

Leio, com uma minuciosidade atómica,

Lentamente, com uma atenção sem chama,

A Nova Enciclopédia Maçónica.

Penso no que fui (não me escapam as entrelinhas), E o que a minha alma quis e a minha vida fez,

Coube-me, como a uma senhora um carrinho de linhas, No meio do Grau 32 do Rito Escocês.

O que quis do passado por brisas se esfolha,

O que pude de oculto teve a tempo medo;

E olho a sorrir o título no alto da folha:

Sublime Príncipe do Rial Segredo…