Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 258 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

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Nem asas, mas a Asa enorme de Voar!

Nem Voar mas o que ca de veloz quando cessar é voar E não há corpo que pese na alma de ir!

Seja eu o calor das coisas vivas, a febre

Das seivas, o ritmo das ondas e o […] Intervalo em Ser para deixar de Ser ser…! Fronteiras em nada!

Divisões em nada!

Só Eu.

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Para cantar-te

Para saudar-te

Era preciso escrever aquele poema supremo,

Onde, mais que em todos os outros poemas supremos, Vivesse, numa síntese completa feita de uma análise sem esquecimentos, Todo o Universo de coisas, de vidas e de almas,

Todo o Universo de homens, mulheres, crianças,

Todo o Universo de gestos, de atos, de emoções, de pensamentos, Todo o Universo das coisas que a humanidade faz, Das coisas que acontecem á humanidade — Pro ssões, leis, regimentos, medicinas, o Destino, Escrito a entrecruzamentos, a interseções constantes No papel dinâmico dos Acontecimentos,

No papirus rápido das combinações sociais,

No palimpsesto das emoções renovadas constantemente. r

O verdadeiro poema moderno é a vida sem poemas, É o comboio real e não os versos que o cantam

É o ferro dos rails, dos rails quentes, é o ferro das rodas, é o giro real delas. E não os meus poemas falando de rails e de rodas sem eles. s

No meu verso canto comboios, canto automóveis, canto vapores, Mas no meu verso, por mais que o ice, há só ritmos e ideias, Não há ferro, aço, rodas, não há madeiras, nem cordas, Não há a realidade da pedra mais nula da rua,