Poesia de Álvaro de Campos
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Nem asas, mas a Asa enorme de Voar!
Nem Voar mas o que ca de veloz quando cessar é voar E não há corpo que pese na alma de ir!
Seja eu o calor das coisas vivas, a febre
Das seivas, o ritmo das ondas e o […] Intervalo em Ser para deixar de Ser ser…! Fronteiras em nada!
Divisões em nada!
Só Eu.
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Para cantar-te
Para saudar-te
Era preciso escrever aquele poema supremo,
Onde, mais que em todos os outros poemas supremos, Vivesse, numa síntese completa feita de uma análise sem esquecimentos, Todo o Universo de coisas, de vidas e de almas,
Todo o Universo de homens, mulheres, crianças,
Todo o Universo de gestos, de atos, de emoções, de pensamentos, Todo o Universo das coisas que a humanidade faz, Das coisas que acontecem á humanidade — Pro ssões, leis, regimentos, medicinas, o Destino, Escrito a entrecruzamentos, a interseções constantes No papel dinâmico dos Acontecimentos,
No papirus rápido das combinações sociais,
No palimpsesto das emoções renovadas constantemente. r
O verdadeiro poema moderno é a vida sem poemas, É o comboio real e não os versos que o cantam
É o ferro dos rails, dos rails quentes, é o ferro das rodas, é o giro real delas. E não os meus poemas falando de rails e de rodas sem eles. s
No meu verso canto comboios, canto automóveis, canto vapores, Mas no meu verso, por mais que o ice, há só ritmos e ideias, Não há ferro, aço, rodas, não há madeiras, nem cordas, Não há a realidade da pedra mais nula da rua,