Poesia de Álvaro de Campos
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Animando a monotonia dos espaço abstratos
Com a minha presença subtilíssima.
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Todos julgamos que seremos vivos depois de mortos. Nosso medo da morte é o de sermos enterrados vivos. Queremos ao pé de nós os cadáveres dos que amámos Como se aquilo ainda fosse eles
E não o grande maillot interior que a nascença
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Quando for a Grande Partida.
Quando embarcarmos de vez para fora dos seres e dos sentimentos E no paquete A Morte (que rótulo levarão as nossas malas Que nome comprazentemente estrangeiro, de lugar, é o do porto de destino?) Quando, emigrantes para sempre, zermos a viagem irreparável, E abandonarmos este oco e pavoroso mundo tão [...] para os nervos Estas sensações das coisas tão ligadas e misteriosas. Estes sentimentos humanos tão naturais e inexplicáveis Estas torturas, estes desejos para fora daqui (e de agora) estas saudades súbitas e sem objeto.
Este subir do nosso feminino ao olhar que se vela e é materno para as coisas pequeninas,
Para os soldados de chumbo, e os comboios de corda e as velas dos sapatos da nossa infância,
Quando, de vez, para sempre, irremediavelmente □
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Da casa do monte, símbolo eterno e perfeito,
Vejo os campos, os campos todos,
E eu os saúdo por m com a voz verdadeira,
Eu lhes dou vivas, chorando, com as lágrimas certas e os vivas exatos — Eu os aperto a meu peito, com o lho que encontrasse o pai perdido. Vivam, vivam, vivam