Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 16 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

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Animando a monotonia dos espaço abstratos

Com a minha presença subtilíssima.

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Todos julgamos que seremos vivos depois de mortos. Nosso medo da morte é o de sermos enterrados vivos. Queremos ao pé de nós os cadáveres dos que amámos Como se aquilo ainda fosse eles

E não o grande maillot interior que a nascença

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Quando for a Grande Partida.

Quando embarcarmos de vez para fora dos seres e dos sentimentos E no paquete A Morte (que rótulo levarão as nossas malas Que nome comprazentemente estrangeiro, de lugar, é o do porto de destino?) Quando, emigrantes para sempre, zermos a viagem irreparável, E abandonarmos este oco e pavoroso mundo tão [...] para os nervos Estas sensações das coisas tão ligadas e misteriosas. Estes sentimentos humanos tão naturais e inexplicáveis Estas torturas, estes desejos para fora daqui (e de agora) estas saudades súbitas e sem objeto.

Este subir do nosso feminino ao olhar que se vela e é materno para as coisas pequeninas,

Para os soldados de chumbo, e os comboios de corda e as velas dos sapatos da nossa infância,

Quando, de vez, para sempre, irremediavelmente □

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Da casa do monte, símbolo eterno e perfeito,

Vejo os campos, os campos todos,

E eu os saúdo por m com a voz verdadeira,

Eu lhes dou vivas, chorando, com as lágrimas certas e os vivas exatos — Eu os aperto a meu peito, com o lho que encontrasse o pai perdido. Vivam, vivam, vivam