Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 279 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Todas as Cartas de Amor São

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor, 

Têm de ser

Ridículas.

Mas, a nal,

Só as criaturas que nunca escreveram 

Cartas de amor 

É que são

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia 

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje 

As minhas memórias 

Dessas cartas de amor 

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)