Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 86 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Capítulo III

Deem-me vinho que um Horácio cante!

Quero esquecer o que de meu é meu...

Quero, sem que me mexa, ir indo adiante.

Estou no Estoril e olho para o céu...

Ah que ainda é certo aquele azul ovante

Que esplendeu astros sobre o mar egeu.

III

Somos meninos de uma primavera

De que alguém fez tijolos. Quando cismo

Tiro da cigarreira um misticismo

Que acendo e fumo como se o esquecera.

No teu ar de dormir nessa cadeira,

(Reparo agora, feito o exorcismo,

Que o terceiro soneto ergue do abismo)

És sempre a mesma, anónima — terceira... Ó grande mar atlântico, desculpa!

Cuspi à tua beira três sonetos.

Sim, mas cuspi-os sobre a minha culpa.

Mulher, amor, alcova — sois tercetos! Só vós ó mar e céu nos libertais,

Que qualquer trapo incógnito franjais

………………………………………………………

Sossego? Outrora? Ora adeus! Foi feita

No cárcere a Marília de Dirceu.

De realmente meu só tenho eu.

Pudesse eu pôr um dique ao que em mim espreita, (No seu per l de pálida imperfeita, Recorte morto contra um vivo céu,*