Poesia de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa · Capítulo 211 de 291

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Poesia de Álvaro de Campos

Olha Daisy Quando Eu Morrer Tu Hás de

OLHA DAISY QUANDO EU MORRER TU

HÁS DE

Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás de

Dizer aos meus amigos aí de Londres,

Que, embora não o sintas, tu escondes

A grande dor da minha morte. Irás de

Londres pra York, onde nasceste (dizes — Que eu nada que tu digas acredito…) Contar àquele pobre rapazito

Que me deu tantas horas tão felizes

(Embora não o saibas) que morri.

Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,

Nada se importará. Depois vai dar

A notícia a essa estranha Cecily

Que acreditava que eu seria grande… Raios partam a vida e quem lá ande!...

(A bordo do navio em que embarcou para o Oriente;

uns quatro meses antes do Opiário) dezembro 1913